SP-Arte recua e diz que ressarcirá integralmente galerias por edição cancelada

CLARA BALBI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de quase um mês de negociações, a feira SP-Arte recuou e decidiu devolver todo o investimento das galerias na edição da feira deste ano, cancelada por causa da pandemia do novo coronavírus.

No início de abril, a organização tinha afirmado que devolveria apenas um terço desses valores às galerias, o que motivou a união inédita do setor para reaver seus investimentos.

Em nota, a SP-Arte afirma que devolverá o dinheiro pago pelos espaços -que vão dos R$ 50 mil aos mais de R$ 100 mil por galeria, aproximadamente- de maneira escalonada em até um ano, de modo a aliviar os problemas de caixa que enfrenta por causa da da crise do coronavírus.

Segundo Fernanda Feitosa, diretora do evento, "a decisão pela devolução integral representa um esforço de capitalização na empresa, uma vez que, ainda que não tenha acontecido, o evento foi em boa parte pago".

As negociações vinham sendo tocadas por duas entidades do setor, a Agab, a Associação de Galerias de Arte do Brasil, e a Abact, Associação Brasileira de Arte Contemporânea.

Presidente da primeira, Ulisses Cohn afirma que a decisão surpreendeu positivamente o grupo, já que eles propunham inclusive a contribuir com porcentagens de seus investimentos para minimizar os prejuízos da feira.

Ele diz, porém, que estão todos muito satisfeitos com o gesto, e que restam apenas algumas questões de procedimentos negociais a serem concluídas com as galerias.

Na nota enviada, a SP-Arte ainda confirmou a realização de uma edição virtual este ano, prevista para entre junho e agosto. Com isso, segue os passos dos principais eventos do tipo no mundo, como a Art Basel e a Frieze, que acontece de forma online nesta semana.

A SP-Arte ainda adianta que a edição de 2021 da SP-Arte está confirmada e deve acontecer de 14 a 18 de abril, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera.