Sororidade online: projeto estimula a união entre mulheres nas redes

Marcela De Mingo
·3 minuto de leitura
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O projeto "Sororidade na Quarentena" visa estimular a união entre mulheres mesmo em tempos de distanciamento social (Foto: Getty Creative)

Desde o 'BBB 20', a palavra sororidade se tornou ainda mais procurada na internet. E isso tem um motivo, claro - em um momento em que tentamos entender cada vez mais como reverter os efeitos de uma sociedade machista, buscar compreender conceitos tão básicos do feminismo se torna essencial.

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Para isso, a jornalista Paula Roschel desenvolveu um novo projeto, chamado "#Sororidade na Quarentena", para tentar estabelecer uma rede de ajuda e afeto entre mulheres que estão passando por situações complicadas durante o período de distanciamento social.

Aliás, entra aí a preocupação com o aumento no número de casos de violência doméstica durante a quarentena, que inclusive já virou manchete no período. No Rio de Janeiro, por exemplo, o número de denúncias aumentou em 50% desde o seu início.

Já em São Paulo, segundo o Ministério Público o número de casos cresceu 30% no mês de março deste ano. Foram 2.500 medidas protetivas de caráter de urgência, ante 1.934 registradas no mês anterior. O número de prisões em flagrante por denúncia de violência também aumentou: 268 em março ante 177 em fevereiro.

Um dos cards do projeto Sororidade na Quarentena (Foto: Divulgação)
Um dos cards do projeto Sororidade na Quarentena (Foto: Divulgação)

Importante notar que todos os meios de denúncia para esses casos continuam funcionando durante o período de quarentena: Delegacias de Defesa da Mulher, Casa da Mulher Brasileira e Centros de Acolhimento seguem os horários de funcionamento normais. Para fazer uma denúncia anônima, basta dicar 180.

Gerar um grupo de apoio e compreender sobre sororidade também leva em consideração outros aspectos, segundo Paula. "No início da quarentena, recebi relatos de sobrecarga doméstica, de mulheres assumindo integralmente os afazeres da casa e cuidado com os filhos, apesar de serem pessoas que moram com seus companheiros ou outras pessoas da família. Além disso, um grande peso psicológico do isolamento", explica.

Por isso, ela decidiu montar um guia que pudesse ser compartilhado de forma rápida e fácil (pelas redes sociais e aplicativos de mensagens como o WhatsApp), para ajudar mulheres que não encontram na família, nos seus núcleos sociais ou mesmo nas políticas públicas o acolhimento que tanto precisam.

"Mesmo separadas tantas vezes fisicamente, conseguimos provar que somos mais fortes quando nos organizamos para dar apoio", diz ela. A ideia de Paula é simples, porém certeira: cards com dicas fáceis e efetivas de como apoiar e ajudar outras mulheres, criando um círculo de incentivo que, normalmente, não é estimulado da forma como vemos hoje.

Os casos de violência doméstica aumentaram 30% em SP durante a quarentena (Foto: Divulgação)
Os casos de violência doméstica aumentaram 30% em SP durante a quarentena (Foto: Divulgação)

Aliás, nesse caso, vale lembrarmos mais uma vez do porquê o termo ficou tão em alta na época do 'BBB 20'. No reality, Manu Gavassi comentou que por uma questão de sororidade, não votaria nas meninas da casa. Isso significa que, em respeito às suas amizades lá dentro e buscando demonstrar apoio às mulheres, preferia manter o voto nos homens - no caso, em Felipe Prior.

Isso é uma demonstração de sororidade: o ato de apoiar mulheres, buscando a união com base na empatia e no companheirismo. A ideia é usar dessas alianças para que as mulheres possam ser vistas de forma igualitária em relação aos homens que, sozinhos, detém muito mais poder social e representatividade do que uma mulher.

Para quem quiser se aprofundar no tema Paula também já escreveu e publicou um livro sobre o tema pela Editora Europa sobre o tópico: Sororidade - Quando a Mulher Ajuda a Mulher.