O que é sororidade? Entenda o discurso de Manu Gavassi no BBB 20

Manu Gavassi no BBB (Foto: Reprodução)

Hadson foi eliminado (com quase 80% dos votos) e Felipe Prior continua na casa, mas fato é que ainda vemos por aí a repercussão da indicação de Manu Gavassi. Votando no arquiteto, ela justificou que o voto foi "por uma questão de sororidade" - e ainda disse que Prior poderia aprender sobre o que o termo significa quando saísse de lá! 

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Por um lado a animosidade de parte das sisters com Felipe continua. Por outro, vemos mais uma vez o 'BBB 20' sendo palco de uma discussão importante: afinal, o que é sororidade? 

Não é a primeira vez que o programa serve de exemplo do termo - quando as meninas se uniram para enfrentar Hadson e tirar à limpo a história que ele tinha combinado com os outros brothers, tivemos uma representação clara de sororidade. E, sim, tem tudo a ver com feminismo, bem a pegada do programa esse ano. 

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O que é sororidade? 

Originalmente, a palavra vem do latim, "soror", que significa "irmã". Ou seja, em essência o termo quer dizer "irmandade". É uma das bases do movimento feminista, e indica união entre as mulheres. Mas é mais do que isso. 

A sororidade é uma prática, mais do que uma teoria. Indica que as mulheres priorizam, respeitam e cuidam umas das outras - o que é extremamente necessário quando vivemos em um mundo dominado por homens, onde são preciso muitas de nós para mostrar que a opinião feminina tem valor. 

É também ir na contramão da ideia de rivalidade feminina, que nos foi ensinada desde a infância. A noção de que temos que competir umas com as outras - definir quem é mais bonita, mais inteligente, mais interessante -, tem tudo a ver com uma cultura machista e patriarcal, em que mulheres com certo padrão eram mais valorizadas do que outras na hora do casamento. Lembra da história do dote? Quando os pais pagavam uma quantia em dinheiro para os futuros maridos de suas filhas? Então. 

É sobre empatia e sobre incentivo mútuo. Como as mulheres estão, historicamente, em desvantagem por uma cultura que privilegia os homens, quando nos unimos somos mais fortes e chegamos mais longe. E é claro que o termo precisa, também, ser olhado de forma mais ampla: ajudando aquelas que são ainda mais marginalizadas, como as mulheres negras ou indígenas. 

Para quem dúvida que essa desigualdade entre os gêneros exista no Brasil, e que sororidade é só mais uma coisa de "mulheres que odeiam homens" (mentira, não é), é importante lembrar da realidade do país em que vivemos. 

Segundo o Fórum Econômico Mundial relatou no ano passado, o Brasil está na 95ª posição na lista dos 149 países analisados sobre o assunto. De acordo com o órgão, o país vive o maior abismo entre os gêneros desde 2011. E o principal fator é a falta de oportunidades profissionais e de espaço na economia. 

E tem mais. De acordo com o IBGE, as mulheres trabalham, em média, 3 horas a mais do que os homens, mas ganham o equivalente a 76% de um salário masculino. 

A situação piora se essas mulheres têm filhos. O salário das brasileiras que são mães costumam ser 35% menores do que das profissionais sem filhos, como indica uma pesquisa pela IDados. 

Ah, e ainda segundo o Fórum Econômico Mundial, a desigualdade de gêneros pode levar até 59 anos para desaparecer na América Latina, mas estima-se que o Brasil precise de ainda mais tempo para que isso aconteça. 

É por isso que é tão importante Manu falar abertamente sobre o assunto no 'BBB 20'. Não à toa, as buscas pelo termo 'sororidade', que estavam em quase zero antes do programa, na noite de domingo (9), dispararam e se tornaram um dos temas mais comentados da internet esta semana - foi um aumento de 250% de buscas no Google. 

Como praticar a sororidade? 

Não é preciso muito para começar a aplicar a sororidade no seu dia a dia. Na verdade, colocar-se numa posição de empatia em relação à outras mulheres já é meio caminho andado. 

Para tornar a sororidade uma prática, você pode, por exemplo: 

  • Evitar julgar mulheres por sua aparência ou pela roupa que usam;

  • Evitar julgar mulheres por suas escolhas sexuais;

  • Consumir o trabalho de outras mulheres;

  • Apoiar as mulheres à sua volta em seus projetos;

  • Refletir sobre a relação que você tem com outras mulheres (você compete com elas? Por quê?)

Vale lembrar também a postura de Mari durante uma conversa com Bianca Andrade, a Boca Rosa. Na ocasião, a sister comentou que respeitava as opiniões da influenciadora, mesmo ela não a tendo apoiado, tratando a outra com civilidade. Parece difícil, mas é mais fácil do que imaginamos. No fundo, tudo o que buscamos é ouvir e sermos ouvidas.