Som no Rock in Rio é ruim e estraga shows de Avril Lavigne e Iron Maiden

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - É o maior festival do Brasil, vendido como um dos maiores do mundo, mas com um som que parece amador. O Rock in Rio, cuja nona edição acontece desde a semana passada, decepcionou fãs e comprometeu shows com alto-falantes que não tiveram a potência necessária para embalar multidões.

Foi assim no show do Iron Maiden, no primeiro dia do festival deste ano. Quem não estava imediatamente em frente ao palco passou cerca de metade da apresentação sem conseguir ouvir direito o som que vinha do palco Mundo. Mesmo quando não parecia alto o suficiente.

Naquela noite, os fãs vaiaram a falta de volume e puxaram gritos de "aumenta o som" ao fim de cada performance -até desistirem de protestar nas músicas finais. A dificuldade de entender com clareza o que acontecia no palco deixou a plateia fria, só participando nos grandes hits do Maiden.

E se os problemas de som já eram evidentes no primeiro dia, eles só pioraram no decorrer do festival. É importante dizer que os alto-falantes nem sempre deixaram a desejar -o show do Green Day é prova disso- no Rock in Rio, mas as falhas aconteceram de maneira recorrente.

No show do MC Poze do Rodo, no palco Supernova, por exemplo, os alto-falantes pareciam estar no limite, e mesmo assim não deram conta de chegar aos ouvidos de quem estava a fim de curtir o show. No palco Sunset, quase não se ouvia Luísa Sonza, tamanha a falta de volume das caixas de som.

Até este sábado (10), foram várias as apresentações com algum nível de problema, seja com o som sem potência suficiente, ou confuso e truncado. Entre eles estão Justin Bieber, Offspring, Gilberto Gil e Jessie J, para citar alguns nomes que tocaram nos dois principais palcos do Rock in Rio.

Na última sexta (9), o show que reuniu Alceu Valença, Ivan Lins e Elba Ramalho, entre outros, para homenagear o Rock in Rio de 1985, teve uma cena curiosa. Andreas Kisser e Pepeu Gomes, dois dos maiores guitarristas da história da música brasileira, faziam um duelo no instrumento. Para quem só assistia, parecia um momento épico; para quem ouvia, não passava de uma maçaroca sonora distorcida, sem qualquer nuance harmônica -ou simplesmente barulho.

Essa apresentação, no palco Sunset, antecedeu à de Avril Lavigne, ápice do descaso do festival com o som que oferecia ao público. Além de uma superlotação que levou fãs a saírem do espaço carregados, passando mal, era praticamente impossível ouvir a cantora com alguma nitidez.

Quem estava mais perto dos alto-falantes até escutava alguma coisa -muito baixo e bateria-, mas a imensa maioria da plateia, distante do palco, praticamente foi privada de ouvir a atração. Foi até difícil entender o que Lavigne cantava, tarefa que só era possibilitada pelo mar de gente que transformou a apresentação num karaokê a céu aberto.

Não é exagero dizer que a experiência de ver Avril Lavigne foi estragada pelos problemas técnicos. Quem esteve no Parque Olímpico viu a comoção ímpar de gente mobilizada para ver a cantora, e que saiu de lá com a sensação de que faltou algo.

Um som alto e bem definido é básico para qualquer festival, ainda mais em um espaço aberto, longe de áreas residenciais, e sem grandes desafios em termos de acústica. Mesmo para quem não é aficionado por música, a experiência sonora é fundamental -ele toca inconscientemente o ouvinte, o provocando a pular, dançar ou bater palmas, de certa forma o incluindo naquela experiência coletiva.

É, afinal, também por isso que muita gente sai de casa, paga caro e enfrenta filas e perrengues para ver seu artista favorito. Em eventos em que a experiência do consumidor é tida como mais importante até do que a própria música, é elementar que os alto-falantes deem conta do público que o festival se propõe a acolher. Todo o resto vem depois.