Soldados reais que impediram ato terrorista estrelam ‘15h17 - Trem Para Paris’

(Imagem: divulgação Warner)

Clint Eastwood tomou uma decisão controversa na hora de escalar os protagonistas de seu novo longa, em cartaz a partir desta semana nos cinemas brasileiros. Em ‘15h17 – Trem Para Paris’, ele colocou Spencer Stone, Alek Skarlatos e Anthony Sadler, três jovens com experiência militar para reviver o dia que mudou suas vidas.

Em agosto de 2015, o trio curtia férias na Europa. Eles visitavam os pontos turísticos de dia, procuravam casas noturnas à noite e jogavam conversa fora no meio tempo. Quando estavam num trem que saia de Amsterdã rumo à capital francesa, foram surpreendidos por um terrorista do Estado Islâmico disposto a massacrar todos os passageiros.

Este é o fato real no qual Eastwood encontrou os elementos que mais gosta de utilizar em suas histórias: heroísmo, sacrifício e o esforço dos Estados Unidos para ser o guardião da paz mundial. São temas que, nos melhores casos, podem até render longas inspiradores. Já nos piores, como é o caso deste, parecem mero delírio ufanista.

Nivelado por baixo a partir da escolha de protagonistas claramente sem talento para atuação,‘15h17 – Trem Para Paris’ tem diálogos risíveis que parecem saídos de um misto de comercial de alistamento com textos de auto-ajuda. A cena em que os três rapazes, ainda crianças, falam sobre as supostas benesses de estar num front (“o companheirismo, as conversas” etc) é um grande exemplo disto.

Nesse contexto, quando um dos personagens diz, à certa altura, que sente estar sendo preparado pela vida para algo grandioso, tal frase é vendida como alta filosofia, mesmo parecendo tirada de um biscoito da sorte vagabundo.

Tudo soa tão primário que é difícil reconhecer ali a assinatura de Eastwood, que já assinou quase 40 filmes como diretor, entre eles os marcantes ‘Os Imperdoáveis’, ‘Pontes de Madison’, ‘Menina de Ouro’ e ‘Gran Torino’.