Solange Couto revela: “Dona Jura era para ser gay, campeã de bilhar”

Com 43 anos de carreira, e mais de 30 trabalhos no currículo, Solange Couto ainda sente o impacto que a Dona Jura, de “O Clone”, teve na cultura do Brasil. A dona do bar interpretada por ela em 2001 é lembrada até hoje pelo bordão “não é brinquedo, não” e ficou eternizada na memória do público. Convidada do Yahoo Entrevista desta semana, a atriz relembra que a personagem foi lembrada até em momentos delicados de sua vida.

“Ouço isso do comandante do avião ao frentista do posto. Onde você pensar. Eu escutei isso no CTI e pós-operada. Escutei isso correndo meu filho no pronto socorro, ele vomitando e a mulher falando isso e pedindo foto. Escutei isso agora no dia 27 passado, quando eu enterrei minha mãe dentro do cemitério. Indo com a mão no caixão e a pessoa ‘não é brinquedo, não’, queria que eu respondesse o que? A Jura já me tirou de enrascada, mas já me botou em enrascada’, relembra.

Dona Jura e seu bar roubaram a cena da trama escrita por Glória Perez no início do milênio. Nas sequências, a personagem recebia famosos para um bate-papo e uma cerveja no bar mais famoso da novela, que foi protagonizada por Giovanna Antonelli, como Jade, e Murílio Benício, como Lucas/Léo.

“Carrego ela tem 21 anos. Nunca deixei de ouvir ‘não é brinquedo, não’, pelo menos 4 vezes ao dia. Outro dia, contei, ouvi 31 vezes num dia só. Não consigo falar dela na primeira pessoa, só na terceira pessoa. Falo que a Dona Jura não é a personagem, é entidade.”

Apesar dos mais de 21 anos de existência, a personagem continua surpreendendo. Durante o bate-papo, Solange revelou que a personalidade de Jura seria totalmente diferente do que foi mostrada no ar, mas ela pediu um ajuste para Glória com a intenção de homenagear as mulheres fortes que conheceu na infância.

“Ela era gay, sabia? Era para ela ser homossexual, campeã de bilhar, usar moletom. Eu falei: ‘vou fazer essa mulher como uma mulher de Madureira, Vaz Lobo, Penha', sabe? Essas mulheres que eu conheci na minha infância, na minha adolescência. Talvez por isso ela seja tão, tão verdadeira. Eu pedi à Glória para fazer dos dois jeitos. Eu fiz e a Glória gostou e deixou”, relembra.

“Ela é um presentaço que nem eu, nem a Glória, nem o diretor Jayme Monjardim sabíamos iria se tornar o que se tornou. A novela não era dela. E até hoje eu escuto muita gente 'a novela da Dona Jura'. As pessoas às vezes não sabem o nome da novela que é 'O Clone'. Ela roubou a novela, me sinto absurdamente honrada por ter tido esse privilégio da autora, por ter conseguido alcançar.”

No entanto, Solange também tem um amor especial por outra personagem icônica: a Cuca, do Sítio do Pica Pau Amarelo. Em 2007, a atriz deu vida ao dragão da fantasia por uma temporada e revela que adoraria interpretá-la de novo.

“Eu pintei tanta miséria dentro daquela roupa, de atuar e interpretar. Até dar um pum, eu sugeri para a direção. Se você me perguntar qual personagem você mais tem saudade? A Cuca. Você faria de novo a Jura ou a Cuca? A Cuca”.

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