Sociólogo critica torcidas que comparam participantes do 'BBB' com políticos

Bárbara Saryne
·3 minuto de leitura
Foto: Reprodução/Globo/Instagram (@jairmessiasbolsonaro)
Foto: Reprodução/Globo/Instagram (@jairmessiasbolsonaro)

Se um dia alguém achou que assistiria ao ‘BBB 20’ para fugir das discussões políticas presentes de telejornais a grupos de família no WhatsApp estava bem enganado. Quase todo episódio polêmico na casa mais vigiada do Brasil vira palco para debates entre uma pseudo “esquerda e direita”.

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Com a quarentena por causa da pandemia do novo coronavírus mais pessoas passaram a assistir o programa (única atração ao vivo no país) e as discussões ficaram ainda mais afloradas nas redes sociais. Alguns participantes já chegaram a ser comparados com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Lula (PT) e outras figuras populares e polêmicas da política brasileira.

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O que para muitos é piada para tantos outros é assunto sério. Tem gente que recebe ameaças, perde seguidores e por aí vai. Uma parcela também fica confusa ao saber que apoiou um candidato específico nas eleições presidenciais, mas não é ele quem está sendo comparado com seu participante favorito no reality show.

Eduardo Viveiros de Freitas, sociólogo e professor universitário, pesquisador do Núcleo de Arte, Mídia e Política da PUC-SP, fica preocupado com a repercussão dessas comparações camufladas de “brincadeiras” pelas torcidas mais ativas.

Além de afastar o público de debates importantes envolvendo a política brasileira, o especialista observa que esse tipo de comportamento só confirma que mesmo com muita informação disponível as pessoas não encaram a política com a responsabilidade que deveriam.

“As pessoas estão vendo (ainda) notícia e informação como brincadeira. Estão misturando entretenimento com política, humor. Não estão levando a política a sério (...) Estão diminuindo a política quando ela é justamente mais necessária. Como diziam os gregos, a política é a arte de construir uma vida boa para todos”, defende o especialista.

Ainda segundo ele, as comparações podem até ter sentido em alguns aspectos, mas é perigoso brincar com um assunto tão sério enquanto o mundo todo discute soluções para combater uma pandemia. Eduardo acredita, inclusive, que muitos estão usando a política como escudo para defender narrativas, seja por causa de um programa de TV ou até mesmo como uma maneira de “passar pano” para o atual presidente.

“O que tem acontecido é que muitos militantes de redes sociais querem transformar um problema de saúde pública em um problema de polarização política. Dizer que o vírus tem ideologia, partido, que a saúde pública está sendo disputada. Isso é querer tirar da frente um problema mais grave que a gente tem, que é resolver como impedir que essa epidemia promova um genocídio no Brasil”, finaliza Freitas.