Sobreviventes de ataque ácido fazem sua estreia na passarela

A ActionAid organizou um desfile de moda tão fantástico em Londres, que o público se levantou, subiu na passarela e caminhou ao lado das modelos para celebrar o ‘gran finale’.

As modelos eram oito mulheres extremamente corajosas de Bangladesh, que sobreviveram a ataques com ácido. Elas nunca haviam saído de seu país de origem, mas foram a Londres para “quebrar a cultura do silêncio para todas as mulheres e meninas ao redor do mundo que vivem com medo da violência”.

Foto cortesia de ActionAid.

Por ser uma organização internacional de caridade, que apoia as meninas e mulheres mais pobres do mundo, a ActionAid vem trabalhando com sobreviventes de ataques com ácido há vários anos. Em 2002, após uma longa campanha, alcançaram uma grande conquista quando o governo de Bangladesh alterou a legislação que controla a importação e venda de ácido. Desde então, os ataques caíram de 400 para 100 por ano. De acordo com a organização, 70% dos sobreviventes de ataques com ácido são mulheres, e 80% dos ataques acontecem na casa das sobreviventes.

O desfile realizado esta semana contou com o apoio da designer Bibi Russell, que também é de Bangladesh e trabalhou com a ActionAid para organizar um evento similar, na capital de seu país, Daca. Bibi comentou a respeito da “enorme coragem e resiliência” das sobreviventes. “Meu envolvimento é um tributo às pessoas que vivenciaram essa terrível violência,” disse ela. “Eu quero que elas sejam respeitadas, tenham direitos iguais e sejam incluídas na sociedade. Acima de tudo, quero ver que a sua dignidade humana foi restaurada […] Eu vi o brilho e a beleza destas mulheres e quero ajudar a mostrar isso para o mundo”.

Sonali, de 15 anos, a mais jovem a desfilar, disse à Refinery29: “Depois de ver isso [o desfile], muitas pessoas podem se interessar em ajudar no tratamento das sobreviventes”.

Quando questionada sobre qual mensagem gostaria de enviar a outros sobreviventes de violência de gênero, Nurun-Nahar – sobrevivente que agora trabalha para a ActionAid – disse:

“Se eu consegui mudar a minha vida, todo mundo consegue. Eu estava morando numa aldeia antes do acidente e agora estou trabalhando para a ActionAid. Em 2004 e 2005, bati de porta em porta nas casas das sobreviventes. Eu conheço todas elas. Eu via que elas se sentiam muito sem esperança e não tinham autoconfiança, então tentei explicar como eu havia mudado a minha vida, mostrando que se elas conseguirem mudar seus pensamentos, também poderão viver de outra forma. Espero que um dia elas possam obter até mais sucesso do que eu, fazendo algo ainda maior e brilhando ainda mais. Eu sempre digo isso a elas. Você se sente muito desanimada e humilhada, mas ver onde eu estou hoje pode ser uma fonte de inspiração e energia”.

Foto cortesia de ActionAid.

“Estamos celebrando o espírito da resistência e da mudança,” concluiu Girish Menon, Diretor Executivo da ActionAid no Reino Unido, e suas palavras ganhavam vida enquanto as modelos caminhavam pela passarela, convidando o público a se juntar a elas.

Sarah Raphael