Slow fashion, moda sustentável e o problema dos tecidos sintéticos

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Young woman shopping in a vintage clothing store
Young woman shopping in a vintage clothing store

Por Robert Santos

O slow fashion surgiu em 2007 na Inglaterra e logo se espalhou pelo mundo. A Pesquisadora de Moda Kate Fletcher foi a idealizadora desse movimento, cujos objetivos são: respeitar os processos de produção das roupas e o tempo de cada um deles; valorizar as pessoas envolvidas nesses processos e incentivar a produção local.

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Respeitar os processos de produção das roupas inclui a preocupação com durabilidade. Pensando nisso, as marcas com esse propósito tendem a investir em matéria-prima de qualidade, para que suas roupas durem o maior tempo possível em boas condições de uso, contribuindo para que a moda seja mais sustentável, tanto social quanto ambientalmente.

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Você provavelmente já ouviu falar que “a moda ocupa o segundo lugar no ranking das indústrias mais poluidoras do mundo”. Ou talvez o quinto... Essa classificação não é trivial e prova disso é o desencontro de informações a respeito da posição da moda nessa lista. Mas é fato que a moda tem lugar cativo nesse ranking.

Uma grande contribuição para que a moda ocupe este lugar vem da matéria-prima e de todos os processos por que ela passa ainda antes de seguir para a confecção. Os impactos ambientais variam de acordo com o tipo de matéria-prima, que são em geral: fibras naturais ou fibras sintéticas.

Na produção de fibras naturais, como o algodão, por exemplo, os principais impactos ambientais são a poluição do ar e da água. Os combustíveis das máquinas agrícolas utilizadas nas plantações liberam no ar gases poluentes. Ainda no plantio, o uso de defensores químicos causa a contaminação de lençóis freáticos, que também ocorre nos processos de branqueamento ou tingimento do tecido já pronto.

Uma opção mais sustentável é o algodão orgânico, que não envolve o uso de pesticidas ou fertilizantes no plantio. Por conta do custo mais elevado, porém, o algodão orgânico ainda é pouco usado, em comparação com o algodão convencional.

De origem orgânica ou convencional, as fibras naturais apresentam uma grande vantagem em relação às fibras sintéticas: durabilidade.

As fibras sintéticas, como o poliéster, muito utilizado na fabricação de roupas, são produzidas a partir do petróleo, uma matéria-prima não-renovável. Vale lembrar que a indústria do petróleo ocupa o topo do ranking das indústrias mais poluidoras do mundo.

Além de menor durabilidade e dos grandes impactos ambientais de sua produção, os tecidos sintéticos ainda apresentam outro grande problema: os microplásticos – aqueles mesmos por que a gente passou a culpar o glitter nos últimos carnavais.

A cada lavagem, os tecidos sintéticos liberam partículas de plástico de tamanho microscópico responsáveis pela poluição dos rios e mares e pela contaminação da vida aquática. Um estudo da Universidade da Califórnia afirma que pelo menos 40% permanecem na água mesmo após tratamento nas estações de esgoto.

Tudo isso deixa muito claro que a grande questão não e “poluir ou não poluir” e sim “como poluir menos?”. O slow fashion tem apontado um caminho mais sustentável para a moda mas nessa jornada o consumidor tem papel fundamental.

Consumir moda com consciência envolve consumir menos e, tão importante quanto, consumir melhor. É perguntar-se de onde vieram suas roupas, pensar no impacto de sua produção e investir em peças que durarão muito mais do que dura uma tendência.

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