Slime: 'geleca' com bórax pode provocar queimaduras e intoxicação

Foto: Getty Images

Por Juliana Gola

Após mensagem de Cris Pagano, que teve a filha Valentina, de 12 anos, internada por suposta intoxicação com ingrediente presente no slime (aquela 'geleca’ colorida de aspecto gosmento) viralizar nas redes sociais, os perigos da brincadeira despertaram atenção de mães e pais.

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Especialistas alertam para os cuidados na manipulação o slime, principalmente daqueles que contém o bórax, composto químico comum em produtos de limpeza, que pode desencadear irritações, alergias e até queimaduras.

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O slime é composto basicamente por uma mistura de água, cola branca escolar, bórax, espuma de barbear, detergentes e corantes, e a diversão tem sido fazer essa mistura de forma caseira, manipulando os ingredientes e criando variações com glitter, corações e estrelas minúsculas ou tintas que brilham no escuro.

Além das várias receitas na internet, também são vendidos kits com a quantidade ideal de cada material em lojas e quiosques especializados para que a combinação seja cada vez mais diferenciada. “São produtos industrializados que contém em sua fórmula diversas substâncias. Algumas delas podem ocasionar uma reação alérgica”, alerta a médica pediatra Fernanda Camlofski.

No caso da menina Valentina, a mãe contou em sua página do Facebook que a a garota apresentava um quadro de gastroenterite sem nenhuma razão aparente. “Todos os exames estão normais, hemograma e PCR inalterados, ultrassom e tomografia mostrando apenas um aumento e inflamação nos linfonodos intestinais. E hoje, depois de muitos dias de angústia, vendo ela piorando a cada dia - apesar do esquema fortíssimo de medicação para vômitos -, sem comer nada desde o início do quadro, veio o diagnóstico: envenenamento por bórax", escreveu.

O Borato de Sódio ou Tetraborato de Sódio, conhecido como bórax, também é um mineral alcalino derivado da mistura de um sal hidratado de sódio e ácido bórico, facilmente solúvel em água. No slime o composto tem a função de dar consistência à mistura.

“O bórax talvez seja a substância mais temida do slime. Ele é encontrado em diversos produtos de limpeza e remédios, por ser desinfetante. A absorção pela pele não é boa e piora caso haja algum ferimento ou irritação como cortes ou ferimentos nas cutículas. Já se ingerido ou inalado, a absorção do bórax é bem maior e os principais sintomas são: náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia, irritabilidade ou sonolência”, explica a pediatra.

O uso excessivo do bórax pode causar vermelhidão, prurido e descamação das mãos, devendo ser interrompido o manuseio. Segundo a médica, “o uso do slime está liberado, desde que não seja exagerado e nem a única brincadeira da criança. Além disso, é fundamental a supervisão de um adulto, evitar contato com olhos, boca e lesões na pele e higienizar mãos com água e sabonete neutro após o uso”.


(Foto: Getty Images)

Cuidados com o slime

Reações alérgicas podem vir também de outros materiais presentes na combinação do slime. “A espuma de barbear, que contém inúmeras substâncias, entre elas as fragrâncias e o lauril sulfato de sódio, e os corantes alimentícios, também podem estar relacionados a uma crise alérgica em crianças, e por isso os pais devem estar atentos”, diz a pediatra Dra. Fernanda Camlofski.

Os kits vendidos prontos também devem ser sempre avaliados pelos pais, com acompanhamento durante o uso. Geralmente são vendidas garrafas de 500 ml das substâncias, o que aumenta a chance de acidentes. “Os pais devem conversar sempre com os filhos sobre os riscos e com as crianças menores a atenção deve ser redobrada, pois a maioria dos kits contém mini pérolas, glitter, estrelinhas, que podem ser aspirados, ingeridos ou colocados em orifícios como narinas e orelhas”, alerta a médica.

Mas o slime não precisa ser considerado o vilão da vez. A dica é cautela, moderação e estar por perto. “Caso a criança já tenha histórico de alergia a qualquer um dos ingredientes, aí sim o uso deve ser evitado. E para que ela não fique fora da brincadeira, os pais podem procurar receitas de slime que não contenham aquele determinado material”, explica. É importante lembrar também sobre o armazenamento da geleca após produção.

“O slime pronto e todos os ingredientes que sobram após a mistura devem ser guardados em locais onde a criança não tenha acesso, evitando assim derramamentos, contato com as mucosas (olhos, boca) e até mesmo a ingestão”, completa a pediatra.

Boráx: não use em slimes!

O ingrediente está também em produtos para limpeza de couro e metais, inseticidas, na fabricação de esmaltes para porcelanas, vidros resistentes a elevadas temperaturas e na produção de detergentes, desinfetantes, sabões e pesticidas.

Segundo nota divulgada pela Anvisa, o uso de bórax não é regulamentado pela Agência e pode ser prejudicial para a saúde, especialmente de crianças.

“O bórax é um produto químico autorizado para diversas finalidades, como em fertilizantes, produtos de limpeza e até mesmo em medicamentos. Entretanto, se inalado ou ingerido, pode causar intoxicação, náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarreia com coloração azul/esverdeada, cianose (pele, unhas e lábios azulados ou acinzentados) e queda de pressão, perda da consciência e choque cardiovascular. Por se tratar de um produto químico, não deve ser manipulado por crianças", explica o material.

Em caso de intoxicação, a Anvisa orienta:

- Não provoque vômito

- Não ingira água, leite ou qualquer outro líquido

- Ligue para o Centro de Informações Toxicológicas (CIT) local

- Se recomendado pelo atendente do centro, busque atendimento médico com urgência