'Sing 2' pode encantar os pequenos, mas parece feito por algoritmos

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FOLHAPRESS - Logo no início de "Sing 2", uma caça-talentos assiste a uma versão musical de "Alice no País das Maravilhas" no teatro de Buster Moon. Entediada, ela vai embora antes mesmo do segundo ato, dizendo ao coala engravatado que as crianças adoram o espetáculo, mas que ele não é muito bom —mais ou menos, um resumo da reação da crítica à primeira animação da franquia.

Com todo o repertório de músicas da Universal ao seu dispor, incluindo sucessos de Elton John, Whitney Houston, Eminem e até Billie Eilish, "Sing 2" oferece um espetáculo de ritmos e cores vibrantes, perfeito para hipnotizar os pequenos durante quase duas horas, mas sem acrescentar nada de novo à fórmula, que parece gerada por algoritmo.

Na versão original, "Sing 2" conta com as vozes de astros como Matthew McConaughey, Reese Whiterspoon, Scarlett Johansson, Taron Egerton, Halsey e Bono. Na versão dublada, Sandy, Wanessa Camargo, Fiuk, Any Gabrielly, Lexa, Fábio Jr. e Paulo Ricardo dão vida aos animais personificados. O desfile de famosos, no entanto, não é suficiente para arrancar fortes emoções.

Depois da rejeição da caça-talentos, Buster infiltra seus cantores num importante teste para a próxima megaprodução do lobo Jimmy Crystal, empresário temível e dono de um teatro gigantesco. Sem querer, o coala acaba prometendo a participação de Clay Calloway, um roqueiro recluso que não se apresenta há 15 anos, desde a morte da mulher.

Correndo contra o tempo, os bichos precisam montar um show do nada e convencer Calloway a retornar aos palcos, mesmo sem saber do seu paradeiro. Enquanto isso, o gorila Johnny sofre para aprender a nova coreografia, a porquinha Rosita precisa conquistar o medo de altura e a elefanta Meena não tem química com o seu parceiro de cena.

Em "Sing 2", Garth Jennings retorna à direção e também assina o roteiro. Diretor de videoclipes elogiados de artistas como Blur, Radiohead e Vampire Weekend, o britânico mostrava promessa com "O Filho de Rambow", seu longa-metragem de estreia, mas acabou enveredando para a animação após o sucesso comercial de "Sing", em 2016.

A Illumination, produtora da franquia, é responsável por blockbusters como "Meu Malvado Favorito", "Minions" e "A Vida Secreta dos Animais" —animações que agradam ao público infantil, mas que não conquistam o mesmo prestígio de estúdios mais aclamados como Pixar, Laika, Ghibli ou Cartoon Saloon.

Se o cinema é uma arte comercial, a Illumination faz questão de priorizar esse lado, não o artístico. Assim, a narrativa pouco importa. E é o que transparece em "Sing 2". A trupe de Buster Moon decide montar outro show não porque precisa contar uma história —desde que o executivo aprove o tema, tanto faz— mas para fazer sucesso na cidade fictícia de Redshore, uma espécie de Las Vegas.

Com um ritmo frenético, abarrotado de apresentações musicais, não há muito espaço para desenvolver os personagens ou mesmo ter um vislumbre de suas vidas particulares. Por exemplo, a família de Meena, tão importante no primeiro filme, desaparece por completo. O teatro dado pelo pai de Buster também já não importa mais à trama.

Quase todos os bichos precisam aprender a mesma lição, que é "acredite em você mesmo" —uma mensagem transmitida com a mesma profundidade de um comercial de desodorante ou de tênis de corrida. O produto sendo vendido em "Sing 2" é, claro, a trilha sonora. A estratégia funciona porque, enquanto o visual distrai as crianças, os hits mais antigos fisgam os pais.

Dessa forma, "Sing 2" cumpre o seu papel, mesmo que não seja um papel interessante à crítica especializada, que costuma preferir animações mais bem elaboradas como "Toy Story" ou "A Viagem de Chihiro". Apesar disso, a família ainda pode sair satisfeita do cinema —e, em questão de dois dias, apagar o filme da memória.

SING 2

Avaliação Regular

Quando Estreia nesta quinta (6)

Onde Nos cinemas

Classificação Livre

Elenco Matthew McConaughey, Reese Witherspoon e Scarlett Johansson / Wanessa Camargo, Fiuk e Lexa (dubladores)

Direção Garth Jennings

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