Estudo indica que câncer pode ser um gatilho para a ‘síndrome do coração partido’

Foto: Getty Images

Apesar do seu nome cinematográfico, a “síndrome do coração partido” é uma doença real – e agora, pesquisadores encontraram evidências de que ela pode estar conectada com a segunda principal causa de morte no mundo: o câncer.

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A cardiomiopatia de Takotsubo (TTS, na sigla em inglês), como ela é oficialmente conhecida, foi reconhecida pela primeira vez por cientistas do Japão em 1990. Ela causa sintomas como dor repentina no peito, falta de ar e pressão baixa. A Escola de Medicina de Harvard a descreve como um “enfraquecimento repentino do ventrículo esquerdo, a principal câmara de bombeamento do coração”.

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Há muito tempo esta doença tem sido associada a eventos emocionalmente traumatizantes, como a morte de alguém querido (daí surgiu seu nome). No entanto, no novo estudo publicado na semana passada no Journal of the American Heart Association, pesquisadores sugeriram que o sofrimento psicológico pode não ser o único gatilho.

Dos 1.640 pacientes com TTS que foram estudados, um em cada seis tinha câncer – e, talvez, de forma semelhante, tinha menos chance de sobreviver nos cinco anos seguintes ao surgimento da doença. O tipo de câncer mais comum entre os participantes – dos quais 87% eram mulheres – foi o de mama, mas havia outros tipos afetando diferentes partes do corpo, como a pele e o sistema gastrointestinal. Os pacientes que tinham câncer e cardiomiopatia de Takotsubo apresentaram “uma probabilidade maior de ter enfrentado um gatilho físico (como uma intervenção médica ou um trauma físico) antes da síndrome,” do que os pacientes com TTS que não tinham câncer.

Em uma declaração da American Heart Association, o autor principal do estudo, Christian Templin, sugere que aqueles que notarem sintomas da TTS – que podem ser semelhantes aos de um ataque cardíaco – fiquem alertas. “Pacientes com a síndrome do coração partido podem se beneficiar se fizerem exames para investigar a possibilidade de câncer, para melhorar seu índice de sobrevivência geral,” disse Templin, diretor de cardiologia dos laboratórios Andreas Grüntzig no Centro do Coração do Hospital da Universidade de Zurique.

Além de elucidar o público sobre a conexão, Templin sugere que a pesquisa também é informativa para os médicos.

“O nosso estudo também deve aumentar a conscientização entre oncologistas e hematologistas,” disse Templin. “A síndrome do coração partido deve ser considerada em pacientes que estejam enfrentando um diagnóstico ou tratamento de câncer, e que estejam sentindo dores no peito, falta de ar, ou que apresentem anomalias no eletrocardiograma”.

É importante destacar que, embora a TTS traga risco de vida, em alguns casos, ela é tratável - e muitas vezes os sintomas desaparecem por conta própria.

Abby Haglage