‘Síndrome do coração partido’ cresceu durante a pandemia

·4 minuto de leitura
‘Síndrome do coração partido’ cresceu durante a pandemia de coronavírus. (Getty Images)
‘Síndrome do coração partido’ cresceu durante a pandemia de coronavírus. (Getty Images)

Um estudo indicou que a ‘síndrome do coração partido’ cresceu durante a pandemia de coronavírus. Cientistas da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, observaram um aumento significativo do número de pessoas que desenvolveram a cardiomiopatia induzida por estresse.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

Conhecida como síndrome do coração partido, ela pode ocorrer quando o estresse emocional provoca uma disfunção do músculo cardíaco.

Leia também

Em meio à pandemia, muitos enfrentam o luto pela perda de pessoas amadas; outros estão lutando contra a ansiedade por receio de que eles mesmos ou seus familiares sejam infectados.

Os meses de quarentena também desencadearam uma crise econômica que deixou muita gente com receio de perder o emprego, e os mais vulneráveis podem estar enfrentando uma dura solidão provocada pelas medidas de isolamento.

Pesquisas iniciais sugerem que o coronavírus é leve em quatro de cada cinco casos; no entanto, ele pode desencadear uma doença respiratória que recebeu o nome de COVID-19.

Na medicina, a síndrome do coração partido é conhecida como cardiomiopatia induzida por estresse. (Getty Images)
Na medicina, a síndrome do coração partido é conhecida como cardiomiopatia induzida por estresse. (Getty Images)

O estresse do coronavírus ‘tem efeitos físicos no coração’

“A pandemia de COVID-19 trouxe altos níveis de estresse na vida de pessoas de todo o mundo,” disse o Dr. Ankur Kalra, autor principal do estudo. “As pessoas não apenas estão preocupadas de que elas ou seus familiares sejam infectados, mas também estão lidando com questões econômicas e emocionais, problemas sociais e situações de isolamento e solidão”.

Os cientistas analisaram 258 pacientes que foram admitidos na Cleveland Clinic ou no Cleveland Clinic Akron General com sintomas da síndrome coronariana aguda, como dor no peito ou nos braços, entre os dias 1 de março e 30 de abril.

Em comparação com o observado antes da pandemia, uma proporção bem maior desses indivíduos foi diagnosticada com cardiomiopatia por estresse, aumentando de 1,7% para 7,8%.

Os resultados, publicados no JAMA Network Open, também revelaram que os pacientes admitidos durante a pandemia passaram mais tempo no hospital.

No que diz respeito ao número de mortes, não houve diferenças significativas entre os diagnosticados antes e durante a pandemia. Todos os pacientes com cardiomiopatia por estresse, também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo, testaram negativo para o coronavírus.

Os resultados podem soar alarmantes, mas algumas mudanças simples no estilo de vida ajudam a prevenir esta doença. “Enquanto a pandemia continua a evoluir, cuidar de si mesmo durante esse período difícil é fundamental para a saúde cardíaca e geral do organismo,” disse o Dr. Grant Reed, autor do estudo. “Para quem se sente sobrecarregado e muito estressado, recomendamos conversar com um médico ou psicólogo”.

Os cientistas afirmam que mais pesquisas são necessárias para entender a prevalência da cardiomiopatia por estresse durante a pandemia de coronavírus, principalmente para descobrir se este fenômeno também está sendo observado fora dos Estados Unidos.

O que é a cardiomiopatia induzida por estresse?

A cardiomiopatia induzida por estresse ocorre quando o ventrículo esquerdo do coração muda de forma e aumenta de tamanho. Isso enfraquece o músculo cardíaco, impedindo que ele bombeie o sangue de forma eficaz.

Não se sabe ao certo o que causa este tipo de cardiomiopatia, mas geralmente ela se dá por estresse físico ou emocional. Isso pode incluir situações de luto, abuso, estupro, preocupações financeiras e até desastres naturais, como um terremoto.

Em casos raros, algumas pessoas apresentaram a cardiomiopatia por estresse após um evento feliz, como o dia do seu casamento. Não se consegue identificar um gatilho específico em cerca de 30% dos casos. Acredita-se que esta doença não tenha um componente hereditário.

Passar por um evento traumático estimula uma liberação intensa de hormônios – como a adrenalina – que podem ser os responsáveis por esta condição. A constrição temporária das artérias do coração também costuma ter um papel neste quadro.

Os sintomas são semelhantes aos de um ataque cardíaco, incluindo dor no peito e falta de ar. Alguns pacientes também apresentam palpitações, náuseas e vômitos.

O tratamento tem como foco reverter a alteração no formato do coração por meio de medicamentos. Se o gatilho foi o estresse emocional, sessões de terapia também podem ajudar.

A maioria das pessoas começa a se recuperar após alguns dias; no entanto, para algumas delas, a mudança no formato do coração é permanente. Esses pacientes podem continuar a apresentar sintomas como fadiga e dor no peito.

Entre 10% e 15% dos que sobrevivem à cardiomiopatia por estresse, a desenvolvem novamente. Em casos raros, esta condição pode ser fatal se desencadear um derrame, uma pressão arterial perigosamente baixa ou arritmia cardíaca.

Alexandra Thompson

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos