Síndrome da impostora, carreira e beleza negra: Erika Januza como você nunca viu

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"Como mulher negra, eu sinto que a pressão é ainda maior, porque não lidamos com as mesmas oportunidades de trabalho e de reconhecimento", diz Januza ao Yahoo. (Foto: Divulgação)
"Como mulher negra, eu sinto que a pressão é ainda maior, porque não lidamos com as mesmas oportunidades de trabalho e de reconhecimento", diz Januza ao Yahoo. (Foto: Divulgação)

Vez ou outra aquele pensamento invasivo chega: “Mereço mesmo estar onde estou?”. Você se vê procrastinando tarefas, se afastando conscientemente de experiências, pois se sente inseguro, tem medo. É muito mais fácil encontrar qualidades no outro, elogiar o outro do que a si mesmo. E, pior: se comparar torna-se quase uma rotina.

Uma pesquisa da Universidade Dominicana da Califórnia mostra que aproximadamente 70% das pessoas, alguma vez na vida, se sentem “uma fraude” no local de trabalho.

Agora, você já imaginou ouvir isso de uma celebridade? Ok, a gente sabe que a fama é encarada de forma diferente agora que temos redes sociais. Mas, ainda assim, há detalhes e bastidores do show business que, quando expostos, derrubam esse fino e delicado véu que nos distancia das 'celebs'.

É sobre isso que a atriz Erika Januza conversa com o Yahoo. Em entrevista exclusiva, a artista fala sobre a chamada “síndrome da impostora”, carreira e oportunidades de trabalho, beleza e negritude. Erika é uma das protagonistas da nova campanha da Eudora, cujo mote é “Seu brilho é único”, e reflete sobre esse sentimento de "fraude" que atinge tantas mulheres.

Viola Davis, uma das atrizes mais importantes da contemporaneidade, já falou sobre o sentimento. Em entrevista ao "60 minutes", da CBS News, a diva mandou a real: “Não é sobre confiança, é sobre sentir que você sempre está em processo, e poderia fazer melhor. Existe uma narrativa abrangente por aí que é sobre ser um ‘ator famoso’ e não um ‘ator’”.

Por que não elogiar uma outra mulher? Por que não ter essa troca sincera?Erika Januza

Na ocasião, Viola ainda comentou sobre a sensação de que a qualquer momento pode ser “desmascarada”. “Qualquer escritor, qualquer diretor, qualquer ator tem ela (síndrome do impostor). O que ela faz, em um nível saudável, é te manter humilde e trabalhando”, concluiu.

Mulheres são mais afetadas

No podcast Ex-Impostoras (fica a dica de conteúdo, inclusive), Thais Lopes e Kamila Maximos trazem o assunto para mais perto e focam em como a síndrome afeta a população feminina. Em uma sociedade construída sobre a desumanização de mulheres, onde seus esforços precisam ser quadruplicados e, ainda assim, ganham pior que homens, a sensação de fraude torna-se comum. Sabe aquela amiga incrível, super competente e talentosa? Provavelmente ela sente-se insegura.

Confira na íntegra a entrevista com Erika Januza:

YAHOO: Muito bacana tratar desse tema tão sensível e pouco falado (pressão pela mulher 100% perfeita). Quando você se deu conta que há uma pressão diferente para mulheres e, mais especificamente, para mulheres negras? Como foi esse processo?

EJ: Essa percepção veio muito cedo. A pressão em cima da mulher é gigante. E quanto mais crescemos e nos tornamos adultas, mais essas pressões aumentam. Graças a Deus, o mundo está mudando. E ele está mudando porque nós, mulheres, estamos ecoando nossas vozes cada vez mais para diminuir essa pressão que recai sobre nós: Você precisa estar bonita, cheirosa, ser talentosa, boa esposa, boa mãe, educada... Existe quase um manual de como mulheres devem ser e se comportar. Como mulher negra, eu sinto que a pressão é ainda maior, porque não lidamos com as mesmas oportunidades de trabalho e de reconhecimento em diversos espaços. E eu lamento muito isso. A sociedade em que eu cresci não tinha representatividade e essa palavra nem era falada. Eu não ligava a TV e sentia minha beleza valorizada.

YAHOO: Você comenta sobre suas vulnerabilidades em relação aos seus múltiplos talentos: nos palcos, na TV e no Carnaval, e o medo de não entregar 100% de si em cada uma de suas facetas. Como você lida com esse medo? Que estratégias usa para seguir com seus planos mesmo com receio?

EJ: Eu sei a profissional que eu sou. Se eu me dedico a um objetivo, eu me entrego de cabeça. Eu vou 100%. Esse é o meu jeito de ser. Mas é claro que, mesmo assim, sempre surge aquele medinho, aquela insegurança... E acho que é isso o que nos torna humanos. E como atriz, essa vulnerabilidade é fundamental, porque eu a uso nas minhas personagens, nas nuances dos meus sentimentos em cena. Às vezes, olhamos para as fragilidades de uma forma negativa, enquanto abraça-las pode ser transformador. Não é um processo fácil, ele vem com a maturidade. Hoje eu reconheço muito mais as minhas vulnerabilidades e sei que elas também fazem de mim a pessoa que eu sou. Toda vez que eu venço uma delas, que eu ultrapasso um obstáculo, eu me fortaleço, eu vejo que posso sempre estar superando-as. E aí que a gente fica cada vez mais forte.

Liberdade é uma palavra muito significativa para mim e para os meus antepassadosErika Januza

YAHOO: Onde você busca força, Erika?

EJ: Eu tenho muita fé! Acredito demais que Deus está sempre agindo na minha vida. Ele me dá forças todos os dias. Eu rezo e agradeço por todas as coisas boas que me acontecem. E quando eu estou com medo, é também nele que eu busco o meu refúgio. Mas além dele, minha mãe é a minha fortaleza. Uma mulher forte, trabalhadora, que me deu valores e força para lutar pelos meus sonhos. Eu realizei tantos sonhos, eu sou muito agradecida.

YAHOO: Você diz que sua força é ser livre. O que “liberdade” significa para você, como uma mulher negra?

EJ: Liberdade é uma palavra muito significativa para mim e para os meus antepassados. Se hoje eu estou aqui, é porque muitos lutaram para vivermos uma realidade diferente. E eu prezo muito por me sentir livre. Livre para seguir o meu coração, para ocupar os espaços que eu mereço estar, para realizar os meus objetivos, livre para dizer que ninguém vai colocar um limite nos meus sonhos. Quando eu cortei o meu cabelo bem curtinho para um papel importante na TV, eu me vi sem nenhum artifício de “beleza”. Aquele momento foi uma libertação, porque eu descobri a minha verdadeira beleza. Hoje eu brinco com o meu cabelo, eu amo cada fio. Amo tudo o que a minha cor representa. Ser livre é se amar.

YAHOO: A chamada “síndrome de impostora” deve ser encarada como uma questão coletiva. Como a sociedade pode ajudar a sanar essa pressão extrema contra mulheres?

EJ: Eu acho que o que podemos e devemos fazer é dar as mãos umas para as outras. É entender que uma pode levar a outra para a frente e assim por diante. Nossas vozes unidas ecoam, elas transformam. E entender que temos fragilidade, medos... Isso faz parte do processo. Se você tem uma amiga perto, incentiva, elogia, coloca ela para cima. Às vezes, é uma frase que vai dar força para aquela mulher virar o jogo dela. Acredito muito mais nas coisas práticas do que nas teóricas. Podemos falar coisas lindas, mas se a gente não pratica, ela não tem valor. Vamos dar as mãos, vamos nos fortalecer. Por que não elogiar uma outra mulher? Por que não ter essa troca sincera? Todas nós temos lutas internas e estamos trabalhando-as.

YAHOO: Agora, falando sobre sua rotina de beleza: Que cuidados não deixa de ter mesmo na correria? Qual produto não falta na sua bolsa? Tem alguma dica de beleza daquelas “acredite se quiser, faz muita diferença”? Compartilha com a gente!

EJ: Valorizo muito o meu olhar, e tudo o que o intensifica! Sempre que estou na correria, não deixo de passar um rímel ou um lápis de olho, são itens essenciais pra mim. Uma dica de beleza: Adoro dar profundidade e alongar o olhar, é uma técnica que aperfeiçoei ao longo do tempo! Também amo fazer um esfumadinho delicado no cantinho externo do olho para abrir o olhar - principalmente em tons de marrom, que destacam mais a cor dos meus olhos.

Erika gosta de ousar quando o assunto é cabelo. (Foto: Reprodução/Instagram @erikajanuza)
Erika gosta de ousar quando o assunto é cabelo. (Foto: Reprodução/Instagram @erikajanuza)
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