Simone e Simaria são intolerantes? Religiosos opinam após dupla não querer citar Iemanjá

Foto: Reprodução/Instagram (@simoneesimaria)

A dupla Simone e Simaria se envolveu em uma polêmica das grandes na última semana. Evangélicas, as cantoras de sertanejo fizeram uma participação no programa ‘Música Boa ao Vivo’, do Multishow, e deixaram de cantar um trecho da música ‘Quero Ser Feliz Também’, do Natiruts, em que é citado o nome “Iemanjá”.

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A atitude das artistas não passou batido nas redes sociais. Para muitos, o silêncio durante o refrão da música foi um sinal de intolerância religiosa.

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Em conversa com o Yahoo!, Eduardo Viveiros de Freitas, sociólogo e professor universitário, pesquisador do Núcleo de Arte, Mídia e Política da PUC-SP, afirma que a conduta das cantoras realmente causou estranhamento.

“A música brasileira sempre foi rica em manifestações da diversidade. A religião de um artista não está em causa quando ele canta, interpreta ou expressa sua arte”, avalia. Para ele, é preciso ficar claro que a dupla se apresenta para os mais diversos tipos de público, não apenas para quem segue a mesma religião.

“Se elas pretendem levar adiante a escolha de músicas mais de acordo com a fé, melhor mudar de repertório e escolher o público evangélico como preferencial ou exclusivo”, sugere ele, que não configura um caso de intolerância religiosa, mas entende quem se ofendeu a partir do episódio do ‘Música Boa’.

O candomblecista Mike Meneghetti, de 29 anos, é um dos que não curtiram a apresentação de Simone e Simaria. Ele não quer mais ouvir as canções da dupla e incentivará que outras pessoas também parem de consumir o conteúdo produzido por elas.

“Em pleno século 21 as pessoas que ditam costumes ainda são tão ignorantes! Isso mostra que o candomblé ainda é visto com maus olhos. Vou instruir meus filhos de santo a deixarem de ouvir as músicas delas. Os 180 concordarão”, garante ele.

Embora tenham recebido muitas críticas, Simone e Simaria também foram elogiadas. O pastor Vanderlei Rocha, da sede da Comunidade Internacional da Graça de Deus, afirma que as pessoas deveriam respeitar a opinião das duas.

“Nem todos os ministérios falam a mesma linguagem e não sei que igreja elas frequentam, mas se fizeram essa opção temos que respeitar. Aqui na Igreja da Graça a gente nem tem o costume de cantar músicas que não sejam hinos espirituais porque da nossa boca só saem palavras para louvar o Senhor”, diz ele, que garante nunca ter proibido seus fiéis de cantarem determinadas músicas.

“Só tenho o direito de falar dos meus filhos. Na igreja a gente não obriga ninguém a nada. Simone e Simaria parecem moças bacanas, não acho que tiveram a intenção de despeitar outras religiões. No mundo circular muitos não cantam músicas evangélicas”, explica.

“Se você pedisse, sei lá, para um Arlindo Cruz, Daniela Mercury ou Beth Carvalho, cantarem gospel, eles provavelmente ficariam em silêncio e estariam no direito deles. Mas será que falariam de intolerância religiosa?”, defende o pastor.

Fato é que a atitude das irmãs não passou batida; confira alguns comentários: