Sikêra Júnior perde patrocínios após falas LGBTfóbicas: “Não apoiamos”

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Hapvida retira patrocínio de Sikêra Júnior após discurso de ódio do apresentador (reprodução / alerta nacional)
Hapvida e MRV retiram patrocínio de Sikêra Júnior após discurso de ódio do apresentador (reprodução / alerta nacional)

Resumo da Notícia:

  • O apresentador esbravejou contra a comunidade LGBTQIA+ em seu programa na RedeTV!

  • Movimento das redes sociais cobrou empresas que apoiam a comunidade LGBTQIA+ 

  • A empresa Hapvida contou ao Yahoo! que suspendeu o patrocínio após falas de Sikêra

O apresentador Sikêra Júnior não conta mais com o patrocínio de duas de suas maiores apoiadoras, a empresa de planos de saúde Hapvida e a construtora MRV. As ações foram tomadas após falas lgbtfóbicas do âncora.

“Não apoiamos forma alguma de preconceito, seja social, de credo, raça, gênero ou orientação sexual. No momento, suspendemos o patrocínio do ‘Alerta Amazonas’. Estamos sempre trabalhando por uma sociedade mais saudável”, disse a Hapvida em resposta ao Yahoo! Brasil nesta segunda-feira (28).

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O questionamento à empresa, que tem atuação em 19 estados, começou com uma publicação do perfil Sleeping Giants Brasil, que é um movimento que visa desmonetizar vídeos de pessoas que promovem desinformação ou preconceito em todo o mundo.

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Eles conseguiram fazer com que a hashtag do movimento, a #DesmonetizaSikera, se tornasse uma das mais compartilhadas justamente no dia internacional do orgulho LGBTQIA+. Com o levante, Yahoo! entrou em contato com a assessoria de imprensa da companhia já que ela havia se manifestado publicamente pró-LGBT.

“Esse orgulho reflete no amor, na forma de amar, no respeito e na verdade da nossa história e de quem somos. Que possamos construir um mundo melhor para que todos possam aproveitar com o seu orgulho de viver pra valer”, compartilhou a Hapvida nas redes sociais.

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Outra empresa que se declarou apoiadora da causa e se desligou do apresentador foi a construtora MRV. "A MRV acredita na diversidade e não compactua com qualquer forma de preconceito. O programa 'Alerta Amazônia/Nacional' já não faz mais parte dos nossos planos de mídia", informou em nota.

A gigante Magazine Luíza afirmou que tirou o canal do apresentador no Youtube dos veículos em que suas campanhas são automaticamente veículadas. "O Magalu é contra qualquer forma de LGBTfobia e nunca admitiremos isso. Obrigada por ter nos alertado. Não patrocinamos o programa, mas havia anúncios sendo exibidos de forma automática pelo Youtube no canal. Eles já foram bloqueados e não serão mais exibidos", ressaltou.

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Já o Youtube submeteu o canal de Sikêra a uma restrição de uma semana para a avaliação de possíveis quebras do código de conduta da plataforma. 

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LGBTfobia é crime

Em resposta as falas do apresentador na última semana, o deputado federal David Miranda (PSOL/RJ) protocolou uma representação junto à Procuradoria dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal sob a acusação de homofobia e transfobia.

“Falas homofóbicas e transfóbicas como a do apresentador Sikêra Jr. colocam em risco a vida da população LGBTQIA+. Não é liberdade de expressão, é um verdadeiro discurso de ódio. É preciso ressaltar que os canais de televisão e, consequentemente todos os programas nele veiculados, são concessão de um serviço público de telecomunicação. Neste sentido, cabe ao MPF [Ministério Público Federal] promover ação civil pública para obter a condenação do apresentador e também da emissora", disse o deputado à ‘Folha’.

O senador Fabiano Contarato (Rede/ES) também fez um pedido de investigação. “Pedimos ao Ministério Público que investigue este apresentador por homofobia, conduta que deve ser punida na lei penal. Liberdade de expressão não pode ser usada p/ cometimento de crimes, incitação à violência e ofensa à honra, à dignidade e à imagem”, afirma.

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Entenda

SikÊra Júnior usou o editorial do seu programa, o ‘Alerta Nacional’, exibido pela RedeTV!, para atacar a campanha do Burger King para celebrar o Dia do Orgulho LGBTQIA+. A campanha aborda filhos de casais da comunidade e como eles lidam com ter dois pais ou duas mães.

O apresentador pediu um boicote à lanchonete e esbravejou: “Vocês não têm filhos, não procriam, não reproduzem. Eu cheguei a seguinte conclusão: vocês precisam de tratamento. Que tara é essa de pegar as crianças do Brasil? Se você quer dar esse rabo, dê, mas não leve as crianças. Preconceito existe e isso nunca vai ser normal para um homem de bem, um homem de família.”

É importante ressaltar que preconceito contra pessoas LGBT é crime no Brasil. No mesmo entendimento dos crimes de racismo, a prática de LGBTfobia prevê reclusão de um a três anos e pagamento de multa.

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