Shows encerram comemoração do 7 de Setembro com tom político em SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O tom político marcou o fim das comemorações do 7 de Setembro no Parque da Independência, em frente ao Museu do Ipiranga, nesta quarta-feira (7).

Das cores escolhidas para o show de drones ao discurso dos músicos que se apresentaram no local, a atual disputa entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou como pano de fundo das celebrações, embora nenhum dos dois candidatos tenha sido diretamente citado.

Apesar do céu encoberto e de uma garoa fraca, a celebração que começou no fim da tarde ocorreu sem percalços e atraiu milhares de pessoas para o parque na zona sul de São Paulo. O evento começou com uma apresentação da DJ Luísa Viscardi com músicas brasileiras.

Na sequência, foi a vez de 200 drones decolarem e formarem imagens sobre a multidão, que ergueu os celulares para registrar a série de contornos iluminados.

As primeiras imagens foram de mapas, dos cinco continentes e do Brasil. Os drones misturaram as cores da bandeira —tradicionalmente usadas por apoiadores de Bolsonaro— com o vermelho símbolo do PT de Lula.

Depois, os drones formaram frases como "200 Anos de Independência" e as figuras do quadro "Abaporu", de Tarsila do Amaral, e do 14-Bis, o avião de Santos Dumont.

Na sequência, começaram as apresentações musicais, que devem seguir até o fim da noite.

Antes do início da série de shows, que foram produzidos Abel Gomes, projeções em uma tela terminaram com a frase: "Não basta celebrar o grito. É preciso saber ouvi-lo."

O público foi formado, principalmente, por famílias com crianças. Mas também estiveram jovens em grupos e casais.

Alguns usavam camisas e bandeiras do Brasil. Durante os shows, houveram alcunhas tímidas manifestações políticas por parte dos espectadores, que em alguns momentos gritaram "Olé, olé, olá, Lula, Lula."

Depois do show do Silva, houve um forte grito de "Fora, Bolsonaro", que seguiu durante o durante o show do sertanejo Daniel.

Criolo foi o primeiro a se apresentar após o show de drones, e seu discurso pronunciou o que seria a tônica da noite, com discurso em homenagem e negros e à população das favelas. "Viva os povos originários do Brasil", gritou Fafá de Belém.

O sambista Leandro Lehart também se manifestou politicamente, disse que "a cor verde e amarela pertence ao povo brasileiro", antes de cantar músicas como "Pelo Telefone" e "Agamamou".

Já Larissa Cruz disse "que possamos comemorar a liberdade dos corpos negros". Margareth Menezes, que cantou "Faraó", pediu por um "Brasil novo, passado a limpo. Abaixo o racismo e qualquer tipo de discriminação."

O maestro Joao Carlos Martins prestou um tributo a Tom Jobim e Pixinguinha. LAo reinaugurar um museu, estamos plantando um amanhã no Novo Museu do Ipiranga estará construído uma nova independência com educação e cultura", afirmou o maestro.

Já ex-BBB e cantora Juliette fez uma homenagem a sertaneja Marília Mendonça, que morreu em 2021, vítima de um acidente aéreo, e cantou "De Quem É a Culpa?".

"Independência também é a liberdade de sermos donos dos nossos corpos e afetos", disse Juliette.

A Orquestra Jovem do Estado de São Paulo acompanhou os cantores. No fim das apresentações, todos os músicos subiram ao palco para cantar o hino nacional.

A agenda musical gratuita vai se estender até o domingo (11), com shows de artistas como Bala Desejo (dia 8, às 19h15), Gabriel Sater (10, às 18h30), Duda Beat (10, às 20h) e Geraldo Azevedo (11, às 19h30).

Mais cedo, o museu recebeu a visita de alguns convidados, de estudantes de escolas públicas e dos operários que trabalharam nas obras de reforma e ampliação, com suas famílias. A reabertura para o público em geral ocorre nesta quinta (8).

Os ingressos para a visita nos primeiros meses são gratuitos, mas é preciso reservá-los com antecedência. Para esta semana, as visitas já estão esgotadas, mas os lotes semanais serão liberados sempre às segundas, às 10h, no site do museu.

Fechado para reformas desde 2013, o Museu do Ipiranga reabre inteiramente restaurado e com o dobro de seu tamanho original. Com salas ampliadas e inclusão de novos recursos expositivos, a instituição busca refletir sobre as narrativas visuais que conformaram o 7 de Setembro, trazendo em seu interior as histórias de uma sociedade mais complexa e diversa.