Show de Sandy & Junior em São Paulo atualiza em nossas mentes o sucesso da dupla

LUCAS BRÊDA
**ARQUIVO** SÃO PAULO, SP, 24.08.2019 - Apresentação da dupla Sandy & Junior durante show realizado na Arena Allianz Parque em São Paulo, na noite deste sábado, 24. (Foto: Levi Bianco/Brazil Photo Press/Folhapress)

LUCAS BRÊDA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Finalmente chegou a São Paulo a turnê "Nossa História", que marca o retorno aos palcos de um dos maiores fenômenos jovens do Brasil: a dupla Sandy & Junior. Esgotado com muita antecedência, o show deste sábado (24), no Allianz Parque, foi uma forte cutucada na nostalgia.

Teve de tudo -dançarinos, Junior na bateria, telão super-produzido, jams e até sessão acústica. Em termos de performance, os irmãos continuam tecnicamente impecáveis.

Como era esperado, a resposta do público foi intensa. Não a histeria adolescente do BTS, que também lotou o Allianz Parque em um fim de semana, mas um festival de lágrimas e celulares apontados para o palco.

Foi também o maior karaokê que eles presenciaram nesta turnê, com 45 mil pessoas no estádio. Só neste fim de semana, contando o show deste domingo (25), são mais de 90 mil pessoas. Somando as datas extras na cidade, em outubro, o número dobra. E isso só em São Paulo --já foram vendidos mais de 500 mil ingressos para a turnê inteira.

Várias vezes, Sandy parecia emocionada com o volume da plateia, deixando de cantar para ouvir os fãs. "Vimos vários shows aqui, mas nunca me imaginei nesse palco", ela assumiu.

Apesar do teor do repertório, contudo, não foi um show jovem. Se o público não chegava a ser tão velho quanto nas apresentações de Paul McCartney --outro que lotou dois dias no estádio do Palmeiras em 2019--, passou longe da juventude do BTS. Pelo menos nas pistas, o público infantil e adolescente era diminuto. A maioria esmagadora era de mulheres adultas.

Criados na esteira do sucesso do pai, Xororó, Sandy & Junior mantiveram o formato de dupla de vocalistas do sertanejo, mas eles soavam exatamente como a música pop dos anos 2000. Mesmo com banda e arranjos mais sóbrios, a dupla ainda remete tanto a boybands como o Backstreet Boys quanto às baladas de musicais de sucesso da Disney, como "High School Musical".

Em várias situações, Sandy & Junior deixaram claro como o atual momento de suas vidas pouco têm a ver com o repertório. "Estamos vivendo um sonho que a gente nem pensava em sonhar e realizar. Só estamos aqui porque vocês pediram", disse a irmã.

O repertório da turnê "Nossa História" é calcado no período da virada dos anos 1990 para os 2000, quando os irmãos chegaram à adolescência. Foi a época mais importante da dupla, quando "As Quatro Estações" vendeu 3 milhões de cópias, depois da fase mais infantil -com um pé no country americano- do começo dos anos 1990.

Antes um fenômeno infanto-juvenil, Sandy & Junior hoje são um sucesso da nostalgia. Mais especificamente, da nostalgia da adolescência, época definidora das primeiras experiências com sexualidade e responsabilidades.

Ao apresentar "Aprender a Amar" -uma música sobre a confusão de se ver apaixonado pela primeira vez-, Junior parecia falar de todo o show. "Todos nós estávamos passando pelos mesmos momentos, de muitas descobertas. Essa música é muito especial", confessou.

Não é à toa que os momentos mais intensos foram nas baladas românticas, entre elas "A Lenda", "Imortal", "Olha o Que o Amor Me Faz" e "Quando Você Passa".

Além disso, a onipresença da dupla na mídia gera uma sensação de experiência coletiva. Até os policiais e funcionários do Allianz Parque cantavam com os olhos fixados no palco.

Em muitos momentos do show, houve o choque entre as músicas mais infantis e o público mais velho. Parecia a única situação possível para ver adultos com faixas na cabeça pulando ao som de "Vamos Pula!", de refrão tão simples e direto quanto seu título.

Quando os ingressos para a "Nossa História", mesmo bastante caros, se esgotaram com antecedência, a dupla foi adicionando datas extras à turnê. Parecia que nem mesmo os produtores tinham noção do alcance de Sandy & Junior.

Depois de mais de duas horas e meia de show, a impressão não é a de uma carreira a ser retomada, mas uma lembrança da dimensão do sucesso da dupla -frequentemente subestimado, como acontece com muitos fenômenos de público jovem e feminino.