Show dos Titãs no Rock in Rio teve gritos contra Collor e quebra-pau na plateia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Embora já tivessem alguma evidência na mídia e nas rádios com músicas como "Sonífera Ilha" e "Marvin", os Titãs ainda eram ilustres desconhecidos para a maioria do 1,3 milhão de pessoas que lotaram a Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, ao longo dos 10 dias da primeira edição do Rock in Rio, em 1985.

Com uma programação que trouxe figuras do quilate de Rita Lee, Ozzy Osbourne, Ney Matogrosso, AC/DC, Elba Ramalho, Scorpions, Gilberto Gil, Queen e Erasmo Carlos, a primeira edição do festival já abraçava as bandas brasileiras de rock dos anos 1980, com bandas como Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Kid Abelha, mas, diferentemente dos paulistas, os cariocas já gozavam de sucesso nacional e vendas que lhes renderam discos de ouro.

Ainda longe de fazer história com álbuns como "Cabeça Dinossauro", de 1986, "Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas", de 1987 e "Õ Blésq Blom", de 1989, os Titãs só escreveram seu nome na história do festival na segunda edição, de 1991, no Maracanã, quando surgiram como a única banda brasileira a dividir o palco com Billy Idol, Faith No More, Hanoi Hanoi e Guns N' Roses.

Em sua estreia no palco do festival, os Titãs jogaram seguro. Com a formação original intacta, o grupo contou com as performances de Arnaldo Antunes, que dividiu os vocais com Branco Mello e Paulo Miklos na abertura ao som de "Cabeça Dinossauro", mas solou ao som de "O Pulso" e "Comida", e com a voz melodiosa e romântica de Nando Reis, que fechou a noite ao som de "Marvin".

Na apresentação, o grupo se limitou a interpretar canções que já eram consideradas clássicos instantâneos, como "Flores", "Polícia" e "AA UU", além de injetar um teor político à apresentação sem precisar verbalizar qualquer crítica ao recém-iniciado governo de Fernando Collor de Mello.

Então adeptos à ideologia do "si hay gobierno, soy contra", o grupo concentrou as críticas à eleição de Collor nas letras de "Bichos Escrotos", "Lugar Nenhum" e "Miséria", além de pregar a paz ao som de "Diversão", coibindo um quebra-pau na plateia.

Embora a edição de 1991 tenha ficado marcada por outras situações, como a ameaça de Axl Rose não subir ao palco e as vaias que expulsaram Lobão do palco no show que contaria com a participação da bateria da Estação Primeira de Mangueira, os Titãs conseguiram se destacar por um show correto, seguro e que poria o grupo entre os principais participantes das edições seguintes.