Show da Lagum é uma imersão no legado de baterista: "Muita honra"

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Imagem do show da Lagum, em São Paulo, no último sábado (02). Foto: Reprodução/Instagram/@allanbragap
Imagem do show da Lagum, em São Paulo, no último sábado (02). Foto: Reprodução/Instagram/@allanbragap

Resumo da notícia:

  • Show da Lagum é uma imersão no legado de Tio Wilson na banda mineira: "Muita honra"

  • Em conversa com o Yahoo!, Pedro Calais abriu o coração sobre a ausência física do baterista

  • Músico morreu em setembro de 2020 e é sempre lembrado a cada apresentação do grupo

Tio Wilson segue vivo de uma forma surreal nas apresentações da Lagum. É arrepiante testemunhar como a banda mineira vem honrando o legado do baterista, que morreu em setembro de 2020 por causas naturais aos 34 anos. Os momentos de tributo passam longe de ser fúnebres e transmitem a alegria que o músico emanava quando ainda estava fisicamente presente.

Desde a divulgação de "Ninguém me Ensinou", que chegou ao público apenas um mês depois da morte de Tio como homenagem ao baterista, ficou claro que o grupo se recusou a ficar de luto. A cada apresentação e lançamento que ocorreu após sua perda, o vocalista Pedro Calais, líder do grupo, fez questão de manter sua memória viva ao mencioná-lo nos eventos e promete fazer isso enquanto a banda existir.

Em conversa com o Yahoo!, antes de um show lotado em São Paulo, marcado por homenagens ao falecido baterista, o cantor abriu o coração sobre seguir sem o amigo nos palcos. "Todos os shows que a gente fizer, tudo o que a gente lançar, cada cidade que a gente pisar, cada clipe que a gente fizer, a gente vai honrar ele e a pessoa que ele foi", garantiu ele.

Pedro Calais em momento de homenagem com folhas
Pedro Calais em momento de homenagem com folhas "Tio Eterno" no show da Lagum. Foto: Reprodução/Instagram

Para Pedro, a dor foi passageira e a gratidão é o que fica. "Ele deixou muitos ensinamentos para gente de tratamento com pessoas, de filosofia de vida, de agradecer a o que tem, de almejar as coisas e, principalmente, de ter um coração puro. Isso tudo a gente carrega com a gente. Então, é zero dolorido. Foi dolorido na hora e agora é muita honra e cabeça para frente", completou.

O jovem de 25 anos tentou definir a volta aos palcos sem a presença física de Tio Wilson como "assustadoramente tranquila", mas decidiu explicar melhor o que sentiu nesse retorno. "É uma parada que a gente está tão completo da energia que ele deixou, tão concentrado, que não se torna uma coisa penosa, que machuca, que é triste. Hoje a família dele está aí, os primos dele, que foram em 90% dos shows que a gente já fez na vida", refletiu Pedro.

Registro do show da Lagum com homenagem ao Tio Wilson em São Paulo. Foto: Divulgação/Yahoo!
Registro do show da Lagum com homenagem ao Tio Wilson em São Paulo. Foto: Divulgação/Yahoo!

"O telão passa imagens do Tio, antes da gente começar o show, a gente fala do Tio. Então, é uma coisa que a gente já está muito consciente dessa energia dele, que tem que estar com a gente 100% do tempo", completou.

E, antes de terminar sua declaração sobre o falecido amigo, Pedro corrige um detalhe. "Não é sem o Tio. É com ele para c******”, disparou com brilho nos olhos ao falar de alguém claramente muito significativo para a banda de forma eterna.

A forma como o grupo de homens de Brumadinho, em Minas Gerais, de 20 e tantos anos e menos de 10 anos de estrada lida com a fatalidade merece servir de inspiração para qualquer grupo que tenha perdido um integrante pela mesma causa. Já que a vida é feita de imprevistos que nem Manoel Carlos, rei da crônica do cotidiano, seria capaz de escrever.

Apesar do luto ser algo muito individual e relativo, se o Orkut ainda existisse e tivesse um grupo denominado "Bandas que perderam baterista e honram seu legado com louvor", a Lagum, sem dúvidas, seria a administradora disso.