Shortinho da Bad boy além de Anitta: "Moda forte na periferia e mostra o Brasil"

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Quem cresceu na periferia do Rio de Janeiro (RJ) sentiu o coração pular ao ver o figurino de Anitta em seu aniversário, em uma boate em Los Angeles, nos EUA. A cantora e algumas amigas foram fotografadas usando um shortinho e um top pretos, ambos com faixas brancas e a estampa de olhos com cara de mal. É o conjunto da Bad Boy, look que bombou nos bailes funks do fim dos anos 1990 e início dos anos 2000.

A marca esportiva Bad Boy foi criada em San Diego, nos EUA, nos anos 1980. Na década seguinte, lançou uma linha de roupas para esporte de combate em parceria com Rickson Gracie. Quando o MMA, na época chamado como Vale Tudo, começou a se popularizar, a Bad Boy criou sungas e calções para os praticantes. Foram essas peças que inspiraram o visual que ficou popular nas festas cariocas.

Orgulho de colaborar para a moda de alguma forma, de um movimento que era bastante original, não necessariamente caro e exclusivo, mas que era o Brasil alidiz a publicitária Vanessa Guerra

Não se sabe como o shortinho da Bad Boy deixou de ser sunga de MMA e virou look de festa. Ele estava, no entanto, em qualquer camelô do comércio popular do Rio de Janeiro.

“Era muito legal ter esse short, mas não era algo exclusivo, inatingível. Em qualquer lugar você encontrava esse short, e o topinho –porque a gente usava o conjunto”, fala a influenciadora e publicitária Vanessa Guerra, 32.

“Lembro que morava em Jacarepaguá, na zona norte do Rio, e todas as meninas do condomínio tinham o shortinho e eu queria também. Tinha uma feirinha perto da minha casa que vendia e ia lá todo fim de semana atrás do conjuntinho”, diz a dançarina e coreógrafa Aline Maia, 31.

Antes de Anitta surgir com o visual, a artista fez muita gente ficar cheio de nostalgia ao viralizar um vídeo em que dança com a amiga Juliette o clássico “Montagem Guerreira”, de Tati Quebra Barraco e DJ Marlboro. O “reels” é parte de seu projeto “Funk Reliquia”, em que Aline busca resgatar a estética do funk carioca dos anos 90/00.

O shortinho da Bad Boy representava quem você era. Esse lugar de pertencimento. Uso o shortinho da Bad Boy e o Kenner no pé e pertenço a essa comunidade, que era o funk do Rio de Janeiro,explica a dançarina

O look até podia ser popular, mas não com a mãe de Aline. “Queria usá-lo o tempo todo, mas ela não deixava. Na época, o funk era mal visto, então ela achava que era roupa ‘de piranha’, que ia no baile ouvir proibidão”, diz a artista, rindo.

Falsificação

A moda, no entanto, fez com que os produtos da Bad Boy fossem amplamente falsificados no país. “Não sei dizer se os que tínhamos acessos eram originais ou se eram réplicas, porque comprávamos nos camelôs da Vila Isabel, na zona norte do Rio”, fala Vanessa.

Mesmo o conjunto usado por Anitta em sua festa de aniversário não era original da Bad Boy. Ele foi produzido pelo estilista Jean Martins, que também foi quem fez o figurino usado por Aline Maia.

Modelo esgotado

1.Jun.2022 - Anitta faz show em Los Angeles (Foto: Emma McIntyre/Getty Images)
1.Jun.2022 - Anitta faz show em Los Angeles (Foto: Emma McIntyre/Getty Images)

Por mais que a Bad Boy continue produzindo roupas esportivas, principalmente os quimonos, a marca já não disponibiliza a sunga com o logotipo que fez sucesso nos anos 90. Assim, Jean Martins tinha um acordo com a Bad Boy Brasil para produzir até 10 peças do conjunto. A aparição da cantora com a peça causou, no entanto, um atrito entre o estilista e o fabricante original.

Marco Merhej, presidente da marca no país, falou, em entrevista ao “Jornal de Brasília”, que o estilista havia quebrado o acordo. “Se ele pedir desculpa, se retratar comigo eu vou dar uma oportunidade dele fazer umas roupas do jeito que ele quiser para ele vender onde quiser”, falou, na ocasião.

Porém, mesmo com o “climão”, os fãs do look acham bastante positivo que a estética seja resgatada. Afinal, mais de 20 anos depois, o funk é um dos gêneros mais escutados pelos brasileiros. E Anitta, uma artista que nasceu no baile, se tornou uma das principais artistas do país.

“Ver a Anitta usando esse shortinho é legal porque ela carrega muito o Brasil com ela. Quando ela está em tapete vermelho, ela fica refém da moda internacional, porque quer quebrar essa bolha, então é compreensível que ela use grifes internacionais para ser aceita”, analisa Vanessa Guerra.

“Mas ver essa artista usando um elemento que foi uma moda tão forte na periferia não dá apenas nostalgia, mas também orgulho, de colaborar para a moda de alguma forma, de um movimento que era bastante original, não necessariamente caro e exclusivo, mas que era o Brasil ali", finaliza Guerra.

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