Quem foi Sharon Tate e como seu assassinato chocou Hollywood

Margat Robbie, que interpreta Sharon Tate no filme de Tarantino (Photo by Luca Carlino/NurPhoto via Getty Images e Michael Ochs Archives/Getty Images)

Retratada recentemente no último filme de Quentin Tarantino, 'Era uma vez em... Hollywood', Sharon Tate (Margot Robbie) era uma jovem atriz que no final dos anos 60 foi considerada uma grande promessa do cinema. O filme do diretor conta um pouco da trajetória da bela texana, que teve sua vida interrompida por um brutal assassinato em 1969.

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Em 1964, Sharon Tate, que havia trabalhado como modelo, começou a circular entre a comunidade de Hollywood ao namorar Jay Sebring, um conhecido cabeleireiro de celebridades. A loira recusou as propostas de casamento de Sebring para investir na carreira artística. Já em 1966, ela estrelou seu primeiro filme relevante: ‘O Olho do Diabo', filmado em Londres, época em que conheceu o já famoso diretor polonês Roman Polanski (que anos depois lançou o sucesso 'O Bebê de Rosemary’).

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Atriz revelação do Globo de Ouro

A atriz Sharon Tate Roman Polanski no filme "A Dança dos Vampiros" Dance of the Vampires. (Foto: Sunset Boulevard/Corbis via Getty Images)

No mesmo ano, Polanski a escalou para o principal papel feminino de ‘A Dança dos Vampiros'. Os dois se casaram e a carreira dela começou a decolar. O casal se mudou para Los Angeles (EUA) e lá, no ano seguinte, Sharon Tate foi uma das protagonistas de 'O Vale das Bonecas', que lhe rendeu uma indicação para o Globo de Ouro de Atriz Revelação.

Em 1968, Tate fez ‘The Wrecking Crew’ (com Dean Martin), longa em que interpretava uma desajeitada espiã, fazendo suas próprias cenas de ação depois de ter aulas de artes marciais com Bruce Lee – que também aparece no filme de Tarantino.

Charles Manson e o assassinato de Sharon Tate

Charles Manson em dezembro de 1969 (Photo by John Malmin/Los Angeles Times via Getty Images)

Sharon Tate engravidou no fim de 1968 e, em fevereiro de 1969, ela e Polanski mudaram-se para uma mansão em Bel Air, no 10050 da Cielo Drive. A casa tinha sido de Terry Melcher, produtor musical e filho de Doris Day. Tate tinha 26 anos e estava grávida de oito meses e meio quando foi esfaqueada e enforcada em sua casa no dia em 9 de agosto de 1969. Roman Polanski estava na Europa produzindo seu próximo filme.

Mas atriz não morreu sozinha, seu melhor amigo e ex-namorado Jay Sebring, o roteirista polonês Wojciech Frykowski, a milionária Abigail Folger e o vigia da casa Steven Parent estavam entre as vítimas fatais. Tex Watson, Susan Atkins, Linda Kasabian e Patricia Krenwinkel foram os autores do crime em nome de Charles Manson, mentor da trama. O músico frustrado tinha 35 anos quando conseguiu convencer vários jovens de uma comunidade hippie, que vivia em um antigo rancho (Spahn Ranch) nos arredores de Los Angeles, que deveriam seguir suas ideias e ordens, criando a “Família Manson”.

Guerra racial

Los Angeles ficou chocada com o crime brutal, mas Manson seguiu seu plano baseado numa teoria que ele chamava de “Helter Skelter” (nome de uma música dos Beatles pela qual ele era obcecado). Ele queria que as autoridades acreditassem que os assassinatos tinham sido cometidos por membros da comunidade afro-americana e provocar uma guerra racial entre negros e brancos. Por isso, seguiu planejando mortes trágicas.

Na noite seguinte ao crime na casa de Tate-Polanski, ele e sua turma assassinaram Leno e Rosemary LaBianca. Os dois receberam 41 facadas. Dessa vez, ele foi ao local, mas quem matou o casal foram seus seguidores.

A prisão de Charles Manson

Polanski chegou até a colocar anúncio de recompensa para quem descobrisse o autor da atrocidade contra sua esposa, filho e amigos. O pai de Sharon Tate, um coronel ex-oficial da Inteligência do Exército, passou a fazer uma investigação particular, infiltrando-se nas comunidades hippies para descobrir quem tinha matado sua filha.

Depois de uma longa investigação, que inicialmente não ligava os dois casos, a polícia chegou até Charles Manson. Ele e alguns seguidores foram presos mais de uma vez por roubos de carros e, em uma de suas prisões, Susan Atkins confessou sua participação nas mortes para uma colega de cela.

Prisão perpétua

O procurador do caso, Vincent Buglosi, afirmava durante a investigação que um dos motivos das mortes na casa 10050 da Cielo Road era que Manson, que chegou a gravar álbuns que nunca fizeram sucesso, ordenou que matassem todos na mansão porque a casa antes era de Terry Melcher. O produtor musical badalado tinha brincado com a ideia de gravar e lançar a música de Manson – o que nunca fez.

Charles Manson e seus amigos foram condenados à pena de morte quase dois anos depois dos crimes. Porém, como a sentença foi abolida um ano depois na Califórnia, ficaram em prisão perpétua. Charles Manson morreu em 2017, de causas naturais.