Shantal sofre com violência obstétrica durante parto: como reconhecer e denunciar prática?

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Shantal sofreu violência obstétrica no parto (Foto: Reprodução/Instagram@shantal)
Shantal sofreu violência obstétrica no parto (Foto: Reprodução/Instagram@shantal)

Tem circulado em grupos de WhatsApp vídeos da influenciadora digital Shantal Verdelho, no qual ela sofre ataques verbais do médico durante seu parto.

No mês de setembro, a blogueira deu à luz a filha Domênica, mas imagens só vieram à tona agora. É possível ver o ginecologista e obstetra Renato Kalil soltando palavrões e falando para a gestante fazer força. Ela rebate e diz: “Eu estou fazendo. Eu sou a maior interessada nisso."

Na época, o trabalho de parto de Shantal durou aproximadamente 48 horas e não foi humanizado, como era de sua vontade. Procurada pela reportagem, a influencer agradeceu o contato, mas disse que ainda não estava preparada para reviver a história. "O áudio era para um um grupo íntimo de amigas e vazou", disse ao Yahoo! por meio de mensagem de voz.

Além do vídeo, tem também um áudio de Shantal circulando em que ela relata tudo o que sofreu durante o parto. “Ele fez de propósito. Descobri que ele falou da minha vagina, que ela vai ficar arregaçada (sic). Se não tiver episotomia, você vai ficar igual. Ele quebrou o sigilo médico.”

Ela ainda conta que o médico a rasgou com a mão e que as imagens mostram um cena de muita violência verbal. “Simplesmente quando a gente assistia ao vídeo do parto, ele me xinga o tempo inteiro.”

O médico queridinho das famosas e influenciadoras desativou o perfil nas redes sociais. Após publicação da reportagem, a assessoria se manifestou (veja no final do texto)*.

O que é parto humanizado?

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, esse tipo de intervenção não necessariamente vai ser livre de cortes ou estará ligada somente a um parto natural.

Cesáreas, por exemplo, podem se enquadrar dentro de partos humanizados. “Esse tipo de parto é aquele que a gente utiliza todos os recursos que a humanidade criou. Utilizamos as evidências científicas mais atuais para o ato e a mulher precisa ser a protagonista daquele parto”, explica Braulio Zorzella, ginecologista e obstetra e representante da ReHuNa (Rede de Humanização do Parto e Nascimento).

O profissional reforça ainda que o método deve ser constituído por uma equipe transdisciplinar, no qual partos de menor risco são acompanhados por enfermeiras obstetras e de maior risco por médicos obstetras. Já para o alívio da dor e sem métodos farmacológicos, o acompanhamento de doulas durante o parto também pode ser utilizado. Quando envolve o uso de remédios, o anestesista pode agir durante o procedimento.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda a prática. Como o Brasil ainda segue linhas de parto e denominações antigas, é preciso oferecer o nome humanizado para se diferenciar dos demais, reforça Zorzella. O especialista também afirma que não há nenhuma contraindicação.

Abaixo: Renato Kalil com Sarah, casada com Kauan, da dupla com Matheus.

“Qualquer atendimento médico deve ser humanizado, independentemente do tipo de parto. Algumas pessoas confundem parto humanizado e acham que não há nenhum tipo de intervenção. É preciso diferenciar o que chamamos de humanização e um parto natural, por exemplo”, explica Wagner Hernandez mestre em obstetrícia de alto risco pela USP.

O local do parto vai depender da vontade da mulher e de técnicas da medicina. “Não pode ser imposto local à mulher. E também pode ser descentralizado determinado hospital, desde que haja um plano de transferência seguro para determinado local hospitalar”, destaca o representante da ReHuNa (Rede de Humanização do Parto e Nascimento).

Há riscos?

Do ponto de vista médico, ele é um dos mais seguros e deve ser priorizado, segundo os especialistas.

A cesárea, se feita de forma errada, pode elevar os riscos de hemorragia para a gestante e ainda gerar um pós operatório mais delicado.

Além disso, procedimentos com horas marcadas podem fragilizar o bebê, já que nem todos os sistemas vitais estão formados. “Aumenta o índice de refluxo gastroesofágico e o sistema imune do feto não está totalmente pronto. O bebê pode ficar com anemia”, diz Zorzella.

Já o parto tradicional, conhecido como natural, também oferece riscos. Técnicas antigas como empurrar a barriga da mulher não são mais recomendadas e elevam prejuízos como perfurações de órgãos internos e outros.

Violência obstétrica: como denunciar?

Assim como foi visto no vídeo, Shantall sofreu violência obstétrica durante o parto e não foi acolhida em quase nenhum momento pelo médico. "Existe uma situação desrespeitosa e uma comunicação violenta. Não dá para ter esse tipo de comportamento", reforça Hernandez.

Esse tipo de agressão está ligada exclusivamente ao gênero feminino e à gestante. Pode ocorrer no início da gestação, durante o pré-natal e até o parto.

Nesses casos, a mulher pode denunciar a prática a órgãos competentes como Conselhos Regionais ou Federais de Medicina e Enfermagem. Além disso, também pode notificar a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Para quem não tem recursos financeiros, o recomendado é recorrer a defensorias públicas.

*Em nota, a assessoria do Dr. Renato Kalil:

O dr. Renato Kalil é médico obstreta ginecologista há 36 anos, sendo um dos médicos mais reconhecidos do Brasil. Ao longo de sua carreira, já efetuou mais de 10 mil partos, sem nenhuma reclamação ou incidente. O parto da sra. Shantal aconteceu sem qualquer intercorrência e foi elogiado por ela em suas redes sociais durante trinta dias após o parto.

Surpreendentemente, o dr. Renato Kalil começou a receber nos últimos dias ataques com base em um vídeo editado, com conteúdo retirado de contexto.

A íntegra do vídeo mostra que não há nenhuma irregularidade ou postura inapropriada durante o procedimento. Ataques à sua reputação serão objeto de providências jurídicas, com a análise do vídeo na íntegra.

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