Sexo virtual é um bom negócio: "Tem dia que faturo R$ 300 em 1h"

Produtores de conteúdo falam da procura de sexo virtual na quarentena (Foto: Reprodução/Instagram)

Por Felipe Abílio (goabilio)

Em fevereiro, quando Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, propôs a abstinência sexual dos jovens como forma de evitar a gravidez precoce, ninguém imaginou que a recomendação seria levada a sério – mesmo que contra a vontade. Pouco mais de um mês depois, o Brasil inteiro foi colocado em isolamento social como forma de controlar a disseminação do novo coronavírus. Desde então, muitos solteiros sofrem com a ausência dos contatinhos. 

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Em um lapso de bom-senso, a própria ministra surpreendeu ao sugerir na cartilha de recomendações para o público LGBT+ em tempos de coronavírus que trabalhadores do sexo e o público em geral começassem a explorar a sexualidade de forma digital, ou seja, através do famoso sexo virtual. Uma vez que a primeira declaração de Damares – considerada absurda por especialistas em saúde pública – foi profetizada, resta a população aprender a ressignificar os prazeres carnais através de uma tela, a fim de não se colocar em risco.

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O ator de filmes adultos e garoto de programa Dan Albuquerque foi um dos que souberam se reinventar. Ele chegava a faturar cerca de R$ 10 mil por semana, atendendo clientes pessoalmente. Com a 'coronacrise', seu trabalho se tornou arriscado. Para continuar pagando os boletos “que não param de chegar”, o jovem de 25 anos começou a trabalhar como cam boy, oferecendo sexo virtual em uma plataforma brasileira de câmeras conhecida como Câmera Prive.

“Tenho uma amiga que trabalha há bastante tempo como cam girl. Ela me incentivou. Comecei bem no início da crise e vejo que o movimento de pessoas está intenso, principalmente nos finais de semana. Passei uma madrugada toda online e fiz R$ 400 reais sem sair de casa.”

Dentro da plataforma, o cliente tem opções de quatro tipos de chats de bate-papo para interagir. O primeira é gratuito, mas o modelo não pode mostrar nada íntimo, ou fazer shows. As seguintes são: sala “Simples”, em que todos podem assistir as exibições mediante pagamento de créditos para os modelos; “Privado”, em que o modelo se exibe apenas para uma pessoa, enquanto outros usuários classificados como “voyeurs” podem espiar se pagarem; e, por fim, tem o chat “Exclusivo”, em que o modelo fica exclusivamente disponível para o cliente. O preço varia para cada sala. 

“Não é fácil fazer um bom valor, você tem que estar focado. Por isso, minha ideia é aumentar mais a carga horária e ficar online nos finais de semana”, explica Dan.

Clara Aguilar, que ficou conhecida por sua participação na 14a edição do 'Big Brother Brasil’, é assídua da plataforma, na qual atua como cam girl há 14 anos. Apesar de boa parte de sua renda vir de seu canal no YouTube – que já soma mais de 1,3 milhões de seguidores, e de trabalhos na noite como DJ –, ela ainda se exibe nas câmeras ao vivo por hobby. Segundo a youtuber, os ganhos de suas apresentações aumentaram desde o início da quarentena, mostrando que o público segue com afinco as orientações de Damares.

“Não costumo ficar online todos os dias, mas quando fico tenho feito o dobro do dinheiro que costumava fazer antes da pandemia. Usualmente, faço dois shows de uma hora cada, por mês, mas com a quarentena estou entrando pelo menos uma vez por semana”, explica.

Com quase 1 milhão de seguidores no Instagram, Clara começou a usar a rede social para convidar as pessoas a conhecerem seu trabalho como cam girl. “Geralmente faço uma live de bate-papo no insta uma hora antes de ir para o site, assim posso convidar as pessoas por lá. Tem funcionado bastante.”

A atriz premiada de filmes adultos Mel Fire também já frequenta a plataforma de apresentações eróticas há sete anos, mas, desde o isolamento social, decidiu criar uma rotina, ao notar uma agitação maior do público.

“A procura por webcams cresceu muito. A quantidade de usuários entrando e saindo é enorme. Quando eles entram, nós, modelos, temos acesso aos créditos que eles têm disponíveis. Vejo gente com 200, 300 créditos, antes era bem difícil isso acontecer.”

Mel, que acaba de lançar o livro 'Alpha Woman’, sobre empoderamento feminino, tem divido sua rotina da preparação de um curso sobre o tema com as entradas mais frequentes na plataforma de webcams.

“Comecei a fazer horário fixo no Câmera Prive. Fico entre 4 e 6 horas por dia, de segunda a sexta. Se não tenho nada para fazer também fico nos finais de semana. Dá para tirar uns mil reais por semana, mas depende muito do quanto você fica online. Tem dia que faço R$ 300 reais em uma hora.”

O ator de filmes eróticos Victor Ferraz também surfa da onda da crise. Além das atuações, ele complementa a renda criando e oferecendo seu próprio conteúdo adulto na plataforma de assinantes americana Onlyfans – a nova febre entre jovens desinibidos que buscam independência financeira vendendo fotos eróticas. Para divulgar sua “lojinha de nudes”, o ator conta com a popularidade do seu perfil oficial no Twitter, que já soma 150 mil seguidores.

“O cliente do Onlyfans tem acesso ao conteúdo através de pacotes de assinatura. O pacote básico custa U$S 15 por mês, com direito a todas as fotos, vídeos e uma live ao vivo. Também tem pacotes trimestrais. Para aproveitar a quarentena, fiz algumas promoções com desconto”, conta o ator, relevando sua veia empreendedora.

E os projetos durante a crise não param. No dia 30 de março, Victor apareceu nos assuntos mais comentados do Twitter ao promover uma live de sexo explícito no Instagram. A exibição foi assistida por cerca de 57 mil pessoas, com a presença de gente famosa de voyeur como John Drops, Rainha Mattos e a ex-BBB Jaquelline Grohalski. Apesar do conteúdo erótico ser proibido na rede social, o ator criou uma tática com sua equipe para burlar o sistema.

"Consigo ficar no ar com uma live erótica por cerca de 30 a 40 minutos antes do sistema me bloquear. Isso tem ajudado a bombar meu Onlyfans, que cresceu cerca de 30% desde o início da quarentena. Quanto mais visibilidade, mais dinheiro entrando”, comemora.