Sexo na quarentena é um exercício de autoconhecimento a dois

Marcela De Mingo
·5 minuto de leitura
sexo na quarentena
O diálogo e o autoconhecimento são a chave para ter mais prazer a dois (Foto: Getty Creative)

Ao que tudo indica, ainda teremos algumas semanas de quarentena pela frente - e cada dia que passa, parece que precisamos de mais e mais ideias do que fazer para ocupar o tempo livre. Que tal repensar o seu relacionamento sexual?

Calma, não estamos falando aqui sobre os altos índices de divórcio ou casais que terminaram o relacionamento por conta do tempo que passaram juntos em distanciamento social. A ideia é, na verdade, ir na contramão desse assunto e buscar o autoconhecimento para melhorar a relação a dois na cama.

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Segundo a sexóloga Danni Cardillo, o que mais tem acontecido durante a pandemia do coronavírus é o contraste de convivência: se antes os casais passavam juntos apenas algumas horas à noite ou aos finais de semana, esse tempo aumentou muito.

Por isso, o melhor investimento agora, diz ela, parece incomum: "Era pouco tempo para a funcionalidade da sexualidade do casal. Se eu puder dar um conselho é investir em uma terapia sexual, no desenvolvimento do autoconhecimento do seu corpo, terapias tântricas… São várias coisas que têm muito a enriquecer a sexualidade".

Se você não sabe por onde começar esse estudo, não tem problema (e nem precisa ir longe!). Danni tornou uma prática indicar a série ‘Sex Education', da Netflix, para seus clientes e alunos, já que apresenta de forma simples e muito didática conceitos básicos de sexualidade ao mesmo tempo que tira dúvidas que, com certeza, todo mundo já teve em algum momento - é o que ela chama de "conhecimento positivo".

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A importância do diálogo no sexo

Para a também sexóloga Débora de Pádua, o diálogo se torna extremamente importante nesse processo. "Contar que leu em algum lugar coisas diferentes, perguntar para a pessoa o que ela gosta de fazer… tem que ser uma forma gostosa de introduzir coisas novas", explica. "Mas só conversando com o parceiro ou com a parceira você vai descobrir onde e como vocês podem começar."

Iniciar (e manter uma conversa) é essencial para tornar as experiências do casal na cama mais prazeirosas já que, via de regra, as pessoas são diferentes, com gostos e pontos de prazer diferentes.

Muitas vezes, é a falta de conhecimento sobre o outro que gera desentendimentos na cama e uma ideia de que o sexo não está legal ou que a relação "esfriou". "Você tem que entender qual é o seu tipo de parceira, qual é o seu tipo de parceiro, e no que você pode ousar. Às vezes, vai um pouco devagar. Mas, dessa forma, cada um vai se soltando a sua maneira, respeitando um ao outro", continua Débora.

A série Sex Education oferece esclarecimentos e um caminho para quem busca entender melhor sobre sexualidade (Foto: Instagram/ Sex Education)
A série Sex Education oferece esclarecimentos e um caminho para quem busca entender melhor sobre sexualidade (Foto: Instagram/ Sex Education)

Esse estudo, aliás, visa gerar uma conexão que, muitas vezes, é o que falta na hora H. Por exemplo: uma pessoa que busca uma massagem para relaxar os músculos depois de um dia estressante, não terá esse resultado se a massagista não parar de falar. Nesse caso, você não vai encontrar uma conexão com o seu próprio corpo e o relaxamento que tanto busca. Com a conexão sexual é a mesma coisa.

"Você vai para o ato esquecendo que a pessoa que está ali na cama com você precisa viver emoções, o carinho, o toque", explica. Um incentivo nesse lugar, principalmente vindo do homem em relação à mulher (já que eles foram ensinados a não terem contato com as próprias emoções - vide a masculinidade tóxica), gera ganhos para os dois lados. "O mundo está desconectado", continua. "E quando a gente fala de conexão, a gente fala de empatia".

Sexo como ferramenta de empatia e autoconhecimento

Tanto Débora quanto Danni veem o mercado de acessórios sexuais e pornografia não como a solução para um problema, mas como um extra em uma relação que se firma, antes de tudo, no conhecimento de si mesmo e do outro.

"Eu sou muito entusiasta do tantra, porque é um exercício de casal em que um olha para o outro, para as suas vulnerabilidades, potencializando os seus prazeres", explica Danni. "O bom do tantra é que existe uma generosidade, uma reciprocidade, que hoje, em tempo de confinamento, é importante."

Para chegar nesse exercício, porém, a sexóloga oferece, em primeiro lugar, algumas práticas simples. A primeira é o questionamento. Por exemplo: quando foi a última vez que você e o seu parceiro tomaram banho juntos? E, mais: alguma vez você buscou estimular e entender a própria libido?

"Uma dica ativa é você chamar o seu parceiro agora e tomar um banho", indica Danni. "A outra é conhecer o seu corpo, ler contos eróticos, ler um livro como '50 Tons de Cinza'. Tudo vai estimular você a ter uma libido - e ter uma libido estimulada é ter uma qualidade de vida melhor."

Por isso que o sexo na quarentena (ou fora dele) é antes de mais nada uma prática de conhecimento. Usar o momento, se possível, para buscar entender como o seu corpo e o do seu parceiro ou parceira funcionam é o que vai garantir mais prazer (e felicidade) a dois.