Sexo na gravidez pode provocar aborto? Confira mitos e verdades

Mitos e verdades sobre sexo na gravidez – Foto: Getty Images

Além de questões financeiras e de planejamento, a gravidez costuma afetar completamente a rotina de um casal. Principalmente quando se trata de sexo durante, já que muitos mitos envolvem a questão.

Receba novidades sobre o mundo dos famosos (e muito mais) no seu Whatsapp

“Os mitos mais comuns são relacionados ao receio de o parceiro acertar o bebê durante a relação. Também já ouvi casais com medo de ter uma gravidez de gêmeos, no caso da mulher já grávida”, diz Wagner Rodrigues Hernandez, mestre em gestação de alto risco pela USP.

“Os mais absurdos são que o pênis poderá machucar o bebê ou que vai romper a bolsa. Se o colo estiver fechado, isso é impossível. No caso do segundo,  o fato pode ocorrer somente no final da gestação”, afirma a ginecologista Mara Diegol.

Leia mais: Homens evitam sexo na gravidez e mulheres reclamam: ‘sem ereção’

Por isso, vamos desmistificar as principais dúvidas, e sim, fazer sexo tranquilamente:

Sexo na gravidez é um problema?

Não! A prática sexual não precisa ser interrompida durante a gestação. “Excluindo gestações de alto risco (placenta baixa, bolsa rompida, risco de parto prematuro), o sexo na gravidez não traz nenhum tipo risco”, diz Wagner.

Mas vale lembrar que os últimos dois meses exigem mais cuidado, assim como casos de sangramentos.

Leia mais: Após sexo, rapaz surpreende namorada em cena bizarra e pede conselho

“Às vezes, no final da gestação, pelo tamanho da barriga e alguns desconfortos, pode ficar mais difícil algumas posições e a disposição da mulher. Alguns parceiros também, às vezes, tem a falsa impressão que poderiam machucar o bebê durante a relação. Esse risco também não existe”, afirma o médico.

Diminuição da libido

Depende! A alteração dos hormônios da mulher influencia diretamente seu desejo sexual e é comum que algumas delas percam o interesse na prática ou que o desejo aumente. “Os hormônios alteram muito o humor da mulher e durante a gravidez, ela pode estar mais deprimida, mais triste e não querer ter relação. Outro dado importante, ela pode se sentir desconfortável, tanto pelo tamanho da barriga, como pelo fato de não estar se sentindo sexy. Por isso é natural, que ela não se sinta bem ao ter relação”, cita Mara.

Wagner concorda e adiciona que certos sintomas são influenciadores diretos no desejo feminino. “Geralmente nos primeiros três meses a frequência de relação sexual diminui pelos sintomas comuns dessa fase, como sonolência, dor nas mamas, enjoos e o medo de aborto. No segundo trimestre costuma ser uma fase em que os sintomas melhoram, o risco de perda praticamente desaparece e pode haver uma retomada das relações com maior frequência. No último trimestre, o bem estar da gestante é que vai ditar a frequência de relações assim como os temores do parceiro”.

Não é só a mulher que perde o interesse

Verdade! Como já te mostramos anteriormente, alguns homens demonstram perda de desejo pela parceira quando ela está grávida. Alguns homens podem se sentir rejeitados outros podem ter fobias com barrigas ou ainda medo.

“Alguns parceiros tem muito receio de fazer algum mal para o bebê ou para a gestante. Por isso, é fundamental que o obstetra converse com o casal sobre como o sexo na gravidez não traz nenhum prejuízo, e pode ser ainda melhor nessa fase. O diálogo entre o casal é a parte fundamental para sintonia”, diz Wagner.

Leia mais: Por que as pessoas param de fazer sexo durante a gravidez?

Os médicos afirmam que o contrário também acontece. Quando o homem sente ainda mais atração e desejo pela mulher grávida. “A mulher grávida pode ficar mais linda e exuberante para seu parceiro. Por não haver necessidade de contracepção, isso também pode favorecer alguns parceiros a ter uma relação mais despreocupada”.

“É bem mais raro. Mas às vezes o homem passa a amar mais a mulher, pois ela será a mãe do filho que ele tanto deseja. Nestes casos o amor e o desejo podem aumentar”, diz Mara.

Relaxe e aproveite

Ambos os doutores indicam que as gestantes percam seus medos e aproveitem a relação com seus parceiros sem medo. “Sexo na gravidez não tem riscos e está liberado durante toda a gestação de baixo risco. O segundo trimestre costuma ser a melhor fase para ter relações. Sempre lembro os casais de que depois do parto virá a quarentena e uma fase de diminuição da frequência sexual por conta da chegada dessa nova vida na família e por isso devem tentar aproveitar a gravidez para ter uma vida sexual saudável”, aconselha Wagner.

Mara afirma que o companheirismo entre o casal é fundamental. “Ambos precisam se tratar com carinho. Se necessário, a mulher a mulher deve explicar seus anseios e medos para o parceiro, para que ele não pense que está sendo rejeitado. Se estiver achando que seu corpo está feio, lembre-se que logo ele voltará ao normal e você terá o maior presente da vida: seu filho, que irá mudar para sempre a sua forma de amar e ver o mundo. Curta cada momento”.