Homens evitam sexo na gravidez e mulheres reclamam: 'sem ereção'

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Por: Mariana Nakata, colaboração para o Yahoo.

Durante a gestação, o corpo da mulher passa por mudanças que vão muito além do crescimento da barriga e dos seios. Há cerca de dois litros a mais de sangue no organismo, circulando repleto de hormônios típicos desse período.

As alterações no ritmo sexual são resultado direto dos efeitos da gravidez. “O aumento da libido está relacionado à elevação do fluxo sanguíneo em toda a região da pelve. Já a redução tem a ver com alterações hormonais: o corpo entende que, biologicamente, o objetivo reprodutivo já está sendo cumprido e, por isso, o sexo não é mais necessário”, explica Andrea Carreiro, ginecologista e obstetra da Casa Moara, em São Paulo. Segundo Andrea, a proporção de mulheres que apresentam queda, aumento ou inalteração no desejo é muito parecida.

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Mas mesmo quando a mulher está bem disposta para o sexo, a frequência das relações sexuais tende a diminuir durante a gestação, já que o homem tem receio de que a penetração machuque o bebê.

“Esse medo aumenta conforme a barriga cresce e a gestação avança”, explica a médica.

Andrea esclarece que o temor é infundado e que, durante uma gravidez de baixo risco, não há impeditivos para o sexo, com ou sem penetração. Pelo contrário: além de fortalecer o vínculo entre o casal, as relações sexuais ajudam a ritmar as contrações do trabalho de parto, de forma saudável – apenas se o bebê estiver pronto para nascer.

“A relação sexual só está contraindicada quando há risco gestacional, geralmente relacionado à placenta. No início da gestação, uma ameaça de abortamento, descolamento ovular, placenta baixa ou prévia são impeditivos. Já no final da gestação, risco de parto prematuro e ruptura da bolsa são sinais vermelhos para o sexo”, acrescenta a obstetra.

Quando o desejo desaparece

“Tive uma gestação bem tranquila e minha médica liberou as relações sexuais desde o início. Mas desde que engravidei, percebi uma redução intensa na vontade de transar, especialmente durante os três primeiros meses. Em alguns poucos dias tive picos de libido, até estranhava! Mas eram momentâneos.

Cheguei a me sentir mal por não satisfazer meu marido, mas tivemos uma conversa rápida, do tipo ‘não vai rolar’, e ficou tudo bem. Sabíamos que era parte da gestação e que depois tudo voltaria ao normal (ou, pelo menos, pensávamos que voltaria). E, quando chegou o fim da gestação, ele queria menos que eu. Já sentíamos a presença do nosso bebê.

Apesar dessa baixa no ritmo sexual, continuamos fazendo nossos programas a dois . Nos curtimos muito e acho que a conexão, o carinho e o amor até aumentaram. Isso colaborou para mantermos a intimidade e o companheirismo.”

Gabi, administradora de empresas, 31 anos – casada e mãe de um menino de 6 meses

Quando a libido da mulher atinge seu limite máximo

Desde o primeiro dia da gestação minha libido aumentou muito. Sempre fui uma pessoa sexual, mas cheguei a ficar assustada com tamanha disposição!

Só que mesmo antes dos sinais físicos da gravidez aparecerem, meu companheiro não ficava muito à vontade para transar. E com o passar do tempo, o interesse dele diminuiu bastante – ele começou a ter um pouco de aflição com barriga enorme. Como meu desejo continuava super em alta, tentava convencê-lo, mas o sexo não rolava com a frequência que eu gostaria.

Lá pela 25å semana, o sexo ficou um pouco mais difícil por conta do tamanho da barriga, mas buscávamos posições diferentes e dava tudo certo.

Continuamos assim até o final da gravidez e acho que, se ele soubesse que o puerpério duraria tanto tempo, e envolveria tão pouca energia sexual, teria aproveitado melhor o período da gestação!”

Marcela, advogada, 35 anos – casada e mãe de um menino de 1 ano e 5 meses

Quando o companheiro não se sente à vontade para transar

“Sempre tive uma libido maravilhosa e, no começo da gestação, não foi diferente. Sentia bastante vontade e meu obstetra até indicou a prática sexual, dizendo que ajudaria no trabalho de parto.

Mas meu companheiro, logo de início, não conseguia ter ereção ou, quando tinha e tentávamos transar, ele não conseguia continuar, alegando ter medo de ‘cutucar’ o bebê. Me sentia péssima e quando apareceu a barriga e comecei engordar, tinha a sensação de estar ainda mais feia e desajeitada. Ele dizia que me via como um cristal e pediu para eu não insistir, já que ele não ficava à vontade com isso.

Aparentemente, só eu sentia falta de envolvimento como casal e isso não afetou diretamente nosso relacionamento, pois acabamos nos conectando mais e vivendo a gestação muito grudados.

No final, já estava conformada e também não sentia mais vontade. Resolvia minhas ‘neuras’ trabalhando. Fui até a última semana ao trabalho, sempre bem arrumada. Apesar de me sentir gorda e feia me sentia muito especial.”

Iara, assistente jurídica, 38 anos – casada e mãe de um menino de 5 meses