Sexo na adolescência: o que fazer se os seus filhos querem que o namorado(a) durma em casa

Teenage couple kissing in tall grass
Saiba como lidar com um filho ou filha que levar o namorado(a) para dormir em casa. (Foto: Getty Creative)

Lidar com um filho que começa a namorar já é uma questão para muitos pais - afinal, como lidar com o bebê que cresce e começa a não depender mais tanto da família? Agora, um namoro na adolescência pode resultar em outras conversas e momentos delicados, como quando o seu filho ou filha pede para o namorado(a) dormir em casa.

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Segundo Tatiana Freitas, psiquiatra da infância e da adolescência, um pedido como esse não deve ser visto como um problema, pelo contrário: "Se seu filho quer levar o respectivo namorado(a) para dormir em casa , significa que ele confia nos pais e na família que tem. Não reprima e acolha".

A profissional explica que esse é um momento difícil tanto para os jovens quanto para os pais. A adolescência é uma fase complexa da vida, em que surgem muitas dúvidas, descobertas e desejos que, até então, eram desconhecidos. É nessa fase que os adolescentes começam a entender como corpo funciona, quais são os seus anseios e o que eles esperam de um relacionamento. Por isso, o momento é de compreensão e de diálogo aberto.

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Para tirar o tabu da frente, o sexo na adolescência não é um segredo. Ao contrário, é um assunto bastante presente na vida desses jovens, mas que não é tratado com a transparência que deveria.

De acordo com uma pesquisa do IBGE feita em 2015, 27,5% dos adolescentes do 9º ano do Ensino Fundamental já tiveram relações sexuais alguma vez. A boa notícia é que mais de 60% disseram ter usado o preservativo na primeira transa, e 66% assumiram também terem usado a camisinha na relação mais recente que tiveram.

Claro, ainda existem 40% dos jovens que estão correndo riscos durante o sexo - tanto de uma gravidez fora de hora, quanto de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. Porém, só é possível alterar essas estatísticas com a ajuda da educação, por isso, ter uma conversa aberta e trabalhar a relação que você tem com o seu filho adolescente é tão importante. "Tente sempre manter um diálogo aberto, livre de julgamentos. Dessa maneira, o relacionamento de vocês será mais sólido, estável e repleto de confiança", diz Tatiana .

Father and teenage daughter drying dishes in kitchen
Manter o diálogo aberto é essencial para que a decisão de começar a vida sexual seja feita com responsabilidade. (Foto: Getty Images)

Converse e entenda os seus valores

Priscila Lehn, gerente de Inovação da Escola da Inteligência e psicóloga, explica que é importante também entender quais são os seus valores e princípios. Para ela, essa é uma questão delicada porque existem dois extremos: o de proibição ou o de segurança.

No primeiro caso, os pais proíbem que os filhos durmam com os namorados em casa numa tentativa de evitar que eles comecem a vida sexual antes do que imaginam ser adequado. No segundo, permitem que isso aconteça porque acreditam que os filhos, no mínimo, estarão mais seguros e sob algum tipo de supervisão.

"Cada família precisa saber até onde vai o seu limite nas permissões e conseguir comunicar aos filhos de maneira aberta. Mas, seja qual for a decisão, mais uma vez menciono a importância do diálogo aberto, pois independentemente se os filhos terão ou não autorização para levar os namorados para dormir em casa, a conversa sobre sexo deve acontecer", explica.

A psicóloga reforça que, enquanto pais, é preciso romper a barreira de tabu em cima do assunto para ajudar o adolescente a tirar dúvidas, apresentar riscos e alternativas de segurança. No fim das contas, essa é uma situação pela qual, inevitavelmente, o jovem passará. Portanto, quanto mais bem informado ele estiver, melhor.

"As pesquisas têm mostrado que a idade média da iniciação sexual no Brasil é entre 13 a 17 anos, e que o número de doenças sexualmente transmissíveis, assim como a gravidez na adolescência, tem crescido entre os adolescentes. Por isso é importante educar nossos jovens para a vida sexual, pois uma coisa que aprendi nesses anos trabalhando com adolescente é que se ele decidir que quer fazer algo, ele vai encontrar um jeito de fazê-lo", diz.

Se o diálogo é aberto dentro de casa, as chances da escolha sobre quando ou como iniciar a vida sexual será mais responsável e segura. E, mesmo que seja desconfortável, é necessário encontrar uma forma de ter esse tipo de conversa e abrir caminho para uma relação mais honesta e pautada na confiança mútua.

"Falar sobre esse assunto pode ser bem difícil para muitos pais, principalmente se foram criados sob um ambiente muito rígido. Se esse for o seu caso, sugiro que você procure outros pais que estão passando ou já passaram por esse mesmo desafio, busque essa troca de experiência!", aconselha Priscila.

Outra ideia é buscar profissionais que trabalham com esses jovens para entender a melhor forma de se comunicar com eles e como transpor as suas próprias barreiras para estabelecer o diálogo aberto.

"O importante é entender que essa é uma nova fase, não só para você enquanto mãe ou pai, mas também para o seu filho. Os medos, inseguranças, preocupações e dúvidas são esperados, mas cultivar uma relação aberta, diálogo entre pais e filhos, com toda certeza vai deixar essa fase mais leve! E lembre-se: é só uma fase, então aproveite essas novas descobertas para estar mais próximo do seu filho!", diz ela.

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