Sete de setembro convocado por Cássia Kiss é ato espiritual, não político, diz líder

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Centro Dom Bosco diz que a vigília religiosa organizada pela entidade para o dia 7 de setembro não tem conotação política. Um vídeo em que a atriz Cássia Kis convoca católicos a participaram da reza vem sendo usado como arma política por apoiadores da reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

"A vigília e o Santo Rosário não serão um ato político, mas essencialmente espiritual", diz Pedro Affonseca, presidente do Centro Dom Bosco, ao ser questionado se a entidade apoia a reeleição de Bolsonaro.

Ele diz não ver problemas em políticos repostarem o vídeo da atriz convocando os fiéis para a manifestação religiosa, que ocorre na mesma data em que serão realizados atos bolsonaristas pelo país.

Na mensagem, Cássia Kis afirma que o Brasil está em um momento crítico e convida os fiéis a rezarem o Santo Rosário para que Nossa Senhora da Conceição Aparecida livre o país "dos males que o ameaçam". Não há menção a políticos.

Filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) compartilhou o vídeo em suas redes com a seguinte legenda: "Povo sem memória é presa fácil para um mentiroso. Cássia Kis além de resgatar a atuação essencial dos católicos na formação do ocidente, ainda tem um convite especial para você no 7 de setembro, junto com o Centro Dom Bosco."

À reportagem, Pedro Affonseca afirma que o Centro Dom Bosco "não vê qualquer problema" em Eduardo Bolsonaro republicar o vídeo. "Da mesma maneira que não veríamos problemas se um outro político fizesse o mesmo", diz.

"Apesar de ser um político, ele também é um cidadão e se limitou a exercer o direito de qualquer cidadão, no sentido de republicar nas redes sociais um vídeo público", afirma.

O ex-secretário de Cultura Mário Frias (PL) também chegou a repostar a mensagem incluindo o seu número de candidato a deputado federal no vídeo. Posteriormente, no entanto, ele o excluiu de suas redes sociais.

Cássia Kis não respondeu às mensagens da coluna ao ser questionada se apoia a reeleição de Bolsonaro.

"A Cássia é uma boa católica e uma amiga querida. Nós a convidamos [a gravar o vídeo] e ela aceitou. O envolvimento dela é bem adequado e conveniente para que o maior número possível de pessoas se una nesse ato de oração e penitência. Quanto mais pessoas se unirem em oração, será melhor para o nosso amado Brasil", diz Affonseca.

Questionado sobre o que seriam os males que ameaçam o país e são citados pela atriz no vídeo, ele diz que "são muitos". "O liberalismo, o comunismo, o materialismo e a cultura da morte (aborto e ideologia de gênero, por exemplo), em geral, dentre inúmeros outros males de ordem material que afetam a nossa nação e que levam grande sofrimento ao nosso povo", afirma.

Affonseca acrescenta que as "eleições marcam sempre um grande momento da vida de uma nação". "De modo que é muito adequado e conveniente que intensifiquemos as nossas orações nesse período tão fundamental e decisivo", diz.

O Centro Dom Bosco é formado por leigos (católicos não ordenados pela Igreja). A entidade conservadora já se manifestou publicamente contra a candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao Governo do Rio de Janeiro, afirmando que o político não merece os votos dos católicos.

Pedro Affonseca diz que ainda não está definido se o centro vai se manifestar de forma institucional sobre candidatos à Presidência. "O fato é que o fiel católico não pode ficar alheio à política e deve se manter sempre coerente com o que a doutrina da Santa Igreja", defende.

A entidade já esteve envolvida em outras polêmicas. Foi autora de pedidos para tirar do ar o Especial de Natal do Porta dos Fundos de 2019 e 2021 —ambos negados pela Justiça.

Também entrou com ação para impedir a ONG Católicas pelo Direito de Decidir de usar o termo católicas no nome. O grupo é a favor da legalização do aborto legal. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou o pedido da entidade.