Sete coisas que ninguém fala sobre amamentação

(Foto: ArtMarie via Getty Images)
(Foto: ArtMarie via Getty Images)

"O ato de amamentar é uma das coisas menos naturais que existem", uma amiga me disse algumas semanas depois de nós duas termos dado à luz. Ela acertou em cheio. Por que ninguém nunca falou isso antes?

Embora seja um processo extremamente natural, não há nada fácil ou simples em relação à amamentação. É como se fosse uma dança bem complicada que você e seu bebê precisam aprender. Às vezes esse aprendizado pode levar dias, às vezes semanas. Outras vezes simplesmente não dá certo, mas poucas pessoas falam sobre isso.

Às vezes você comete erros, em outros momentos o bebê tem algumas dificuldades. E há vários motivos para isso acontecer: refluxo, língua presa, desequilíbrio hormonal, mamilos invertidos, tecido glandular insuficiente, saúde mental sensibilizada. A lista é bem grande e não para por aí.

Qualquer pessoa que nasce com seios sente que biologicamente deveria ser capaz de amamentar, mas não é verdade.

Tem que ser realista sobre as dificuldades!

Vamos direto ao ponto e falar sobre algumas coisas que você não costuma ouvir sobre amamentação, nem antes e nem depois de ter filhos. Embora seja muito positivo alimentar o bebê no seu peito, precisamos ser realistas sobre as dificuldades.

1. Amamentar é um trabalho intenso

Na TV e nos filmes, você costuma ver bebês recém-nascidos no peito da mãe logo após o parto. Eles começam a sugar e pronto, você pensa. É muito fácil! Na realidade, amamentar exige muita prática e trabalho intenso. E mesmo assim, não é certeza de que vai dar certo.

Nas primeiras semanas e meses, muito trabalho acontece nos bastidores para fazer o leite fluir e o bebê pegar o peito corretamente, eles não sabem exatamente o que fazer. Muitas vezes, é preciso mostrar fisicamente a eles como é o processo. Caso contrário, você pode acabar com mamilos extremamente doloridos e até mesmo ter problemas como mastite (quando o tecido mamário fica muito vermelho, inflamado e dolorido).

É um verdadeiro aprendizado e as mães precisam de apoio, algo que nem sempre acontece se você sair do hospital às pressas após o parto.

Se estiver com dificuldades, você pode entrar em contato com organizações como a La Leche League para receber aconselhamento gratuito. Em caso de dúvidas, você também pode recorrer à equipe de apoio à amamentação do hospital.

Se você receber a visita de um profissional nas primeiras semanas após o parto, não tenha medo de perguntar se o bebê está pegando o peito da forma correta ou de dizer se você acha que ele não está mamando o suficiente ou está mamando demais.

À medida que os filhos crescem, a amamentação fica menos trabalhosa. Mas precisamos reconhecer que é um processo físico e mental bem desgastante, principalmente nas primeiras semanas.

Nas primeiras semanas e meses, muito trabalho acontece nos bastidores para fazer o leite fluir e o bebê pegar o peito corretamente, eles não sabem exatamente o que fazer. (Foto: Getty Creative)
Nas primeiras semanas e meses, muito trabalho acontece nos bastidores para fazer o leite fluir e o bebê pegar o peito corretamente, eles não sabem exatamente o que fazer. (Foto: Getty Creative)

2. Você pode ter sintomas semelhantes à menopausa

Após o parto, os níveis de estrogênio caem e continuam baixos em lactantes.

Um estudo que comparou mulheres que amamentaram com mulheres que não amamentaram, três e seis semanas após o parto, descobriu que as lactantes "tinham muito mais probabilidade" de ter secura vaginal, sintoma também observado durante a menopausa.

A prolactina, o hormônio que aumenta para produzir leite materno, também pode provocar a diminuição da libido.

Se você acha que a amamentação deixou sua vagina mais seca, mas ainda quer fazer sexo com penetração, vale a pena usar lubrificantes à base de água para não se machucar. E lembre-se: está tudo bem não fazer sexo nos dias, semanas e meses após o parto, muita coisa nova está acontecendo!

Está tudo bem não fazer sexo nos dias, semanas e meses após o parto, muita coisa nova está acontecendo! (Foto: Getty Creative)
Está tudo bem não fazer sexo nos dias, semanas e meses após o parto, muita coisa nova está acontecendo! (Foto: Getty Creative)

3. Nem todas as mulheres podem amamentar, mas não significa que elas sejam um fracasso

Às vezes, amamentar simplesmente não dá certo por vários motivos. Você pode ter tido um parto traumático, fazendo com que seu leite secasse, pode não estar produzindo leite em quantidade suficiente, pode precisar voltar ao trabalho, pode estar sentindo dor, pode estar com a saúde mental fragilizada. Não importa a razão, você pode optar por parar.

Como o mantra "o melhor alimento é o peito" foi incutido nas mães ao longo dos anos, essa decisão pode vir carregada de muita culpa, principalmente se as mulheres de gerações anteriores amamentaram e você estiver se sentindo pressionada.

Mas, na realidade, existem várias razões para interromper a jornada de amamentação e só cabe a você tomar essa decisão.

Precisamos dar mais apoio e incentivo às mulheres que decidem parar de amamentar, ou são obrigadas devido a condições de saúde, para que elas não se sintam culpadas e possam se concentrar totalmente em alimentar seus bebês da forma que dê certo para eles. O importante é a alimentação.

4. Você pode perder sua liberdade como pai

A amamentação pode causar um desequilíbrio na igualdade em um relacionamento, uma vez que uma das pessoas é totalmente responsável pelo aleitamento. É "algo" que acontece várias vezes ao dia, mas principalmente na hora de dormir e durante a madrugada. Você pode se sentir incapaz de sair à noite porque precisa alimentar seu bebê, colocá-lo para dormir, reconfortá-lo e estar por perto quando ele acordar.

E se você decidir sair e perder algumas mamadas? Seus peitos vão literalmente chorar.

Embora a amamentação seja um ato muito bonito, você pode se sentir limitada de algumas formas. É claro que você pode extrair leite se quiser sair e é ótimo se seu bebê tomar mamadeira, mas para muitas mães nem sempre funciona dessa maneira. Além disso, esse processo pode ser cansativo.

5. Seus peitos são literalmente um coquetel feito sob medida para o seu bebê

Ok, dissemos que amamentar é difícil. Mas quando dá certo, é muito bom para o bebê e não devemos ignorar esse fato. Desde o colostro (primeiro leite) cheio de nutrientes até o leite rico em anticorpos que você produz, fique tranquila sabendo que seu bebê está recebendo tudo o que precisa (e muito mais).

De acordo com a La Leche League, o leite materno tem células vivas, hormônios, enzimas ativas, anticorpos e compostos com estruturas únicas. Além disso, se seu bebê estiver doente, o leite materno literalmente se adapta para ajudar a combater a doença. Seu corpo é capaz de fazer isso, é incrível.

O leite materno tem células vivas, hormônios, enzimas ativas, anticorpos e compostos com estruturas únicas. (Foto: Getty Creative)
O leite materno tem células vivas, hormônios, enzimas ativas, anticorpos e compostos com estruturas únicas. (Foto: Getty Creative)

6. A amamentação é mais simples

As mães de primeira viagem podem ter uma opinião diferente, mas quando você pega o jeito, a amamentação é relativamente simples na maioria das vezes.

É claro que você precisa encontrar um lugar para se sentar (é permitido amamentar em locais públicos em qualquer lugar do Reino Unido) e descobrir os seios, mas se o bebê estiver acostumado, você pode fazer isso rapidamente sem ter que se preparar muito.

A alimentação com leite em pó exige um pouco mais de preparação, você precisa carregar muito mais coisas ao sair de casa, deve esterilizar mamadeiras o tempo todo e, claro, é mais caro. Você também deve ficar atenta ao locais que têm a marca de leite preferida do seu bebê.

7. É indescritível ver o bebê no seu peito

É extremamente emocionante ver seu bebê olhando para você enquanto mama e suas mãozinhas agarram você como se a vida dele dependesse disso. Sinceramente, é muito difícil descrever essa sensação.

Esses primeiros momentos em que eles mamam após o nascimento, a pele quente encostada na sua é uma experiência que muitas mães nunca esquecem, mesmo as que não vão continuar a amamentar.

Na verdade, o maior presente de todos é ver seu filho crescer feliz e forte, independentemente de como você o alimenta.

*Este artigo foi publicado originalmente no HuffPost UK e foi atualizado.