Moro não tinha ideia de como seria trabalhar com Bolsonaro, diz ex-secretário da Justiça

Foto: Andressa Anholete/Getty Images

O juiz aposentado Vladimir Passos, um dos principais auxiliares de Sergio Moro, afirmou que o ex-ministro da Justiça “não tinha a menor ideia” de como seria trabalhar ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no governo federal.

“A carreira política do presidente era no Rio de Janeiro, e ele [Moro] era um juiz do Sul do país, totalmente distante. Não creio que ele tivesse ideia de como seria a vida comum ali”, afirmou Passos, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

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Na relação direta com Bolsonaro, Passos destacou que Moro não tinha como saber como se daria a relação cotidiana.

“Acredito que o ex-ministro não tinha nem ideia de como seria na verdade essa vida trabalhando juntos. Ele acreditava que seria uma pessoa [atuante] no combate à corrupção, à criminalidade. Porque a proposta do candidato era a mais forte de todas.”

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O juiz aposentado ocupou os cargos de secretário de Justiça e assessor para assuntos legislativos do Ministério ocupado por Moro. Passos afirma que o ex-juiz tentou “até o último minuto” para tentar convencer Bolsonaro a não trocar o comando da Polícia Federal [exonerar Ricardo Valeixo do cargo].

Passos, que conhece Moro desde a década de 90, comentou também a relação do ex-ministro com o presidente.

“Quem faz a relação é o ministro. A relação do ministro [Moro] com o presidente evidentemente tinha divergência como no pacote de liberação de armas. Mas eram levadas assim, de uma maneira respeitosa, sem grandes atritos. Com o tempo, as divergências se agravaram. Mas o ministro não se queixava, nem para mim nem para outros secretários”, diz o juiz aposentado.

Questionado sobre uma demora de Moro para reagir aos atritos com Bolsonaro, passos destacou a complexidade da situação.

“Como renunciou a uma carreira totalmente estável de segurança absoluta, ele [Moro] teve a resiliência de suportar situações difíceis, diferentes, junto ao Congresso, possíveis diferentes em relação ao presidente, tudo em nome de uma causa maior na qual ele acreditava. Posso dizer porque eu o conheço desde que ele entrou na justiça há 23 anos”.

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