'Ser mãe é tentar se colocar em todos os lugares', diz Dira Paes sobre maternidade

***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 17.12.2018 - A atriz Dira Paes em sala do Projac, no Rio de Janeiro. (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em casa por causa da pandemia do coronavírus, Dira Paes, 50, tem passado mais tempo com os filhos Inácio, 12, e Martim, 4. Com a tecnologia tão necessária em tempos de quarentena, a atriz procura se reiventar como mãe.

"Essa mãe de 2020 precisa se alfabetizar novamente com esse mundo virtual. Meu filho Inácio tem me ajudado muito nisso. É lindo ver ele me ensinando. Eu diria que além de mãe, temos que é ser filha, ser irmã, ser avó. Tentar se colocar em todos os lugares", diz a atriz.

"Acredito muito em uma mãe antenada e ao mesmo tempo mantém os valores de afeto. A gente não se distanciar do que é mais humano na gente, que são os sentimentos", ressalta a artista, que garante estimular o ato do afeto em seus filhos.

No ar em "Fina Estampa" (Globo), reprisada por causa das paralisações, Dira Paes diz estar feliz com o retorno da novela e afirma que não é por acaso. "A presença de 'Fina Estampa' nesse momento ressucitou muitos temas que ainda são atuais", explica a atriz, que diz ter sido marcada pela sua personagem na trama, a Celeste.

Na trama escrita por Aguinaldo Silva, Celeste vive uma situação de violência doméstica com o marido Baltazar (Alexandre Nero), com quem divide a criação da filha adolescente apaixonada por funk, a Solange (Carol Macedo).

"Ela [Celeste] veio em um momento muito importante para mim, eu já era mãe. Não foi fácil porque a gente sabia que era um assunto delicado e profundo. Mas atrás da violência existia essa filha [Sol] que a amparava, então tinha uma cumplicidade de mãe e filha, que eu acho que deu a força pra Celeste superar", diz a atriz.

Apesar das milhares de dificuldades encontradas em viver Celeste, Paes não esconde as marcas deixadas pela personagem, e o que a mais impressionou ao adentar no mundo da violência doméstica. "O que foi mais desafiador pra mim, foi como fazer uma mulher passiva. A imobilidade de pedir ajuda de fato, de se organizar para conseguir denunciar, foi o que mais me impressionou. Mulheres vivem nesse ciclo por 20, 30 anos de histórico de violência."

De volta à sua realidade, Dira Paes se diz privilegiada por conseguir passar bastante tempo com os filhos, e enxerga ressalvas em torno da maternidade real. "É um momento romântico mas a realidade não é romântica. Os sentimentos são românticos mas o dia a dia não é, então há esse embate. No dia a dia é muito difícil você romantizar uma mãe que tem que trabalhar, cuidar dos filhos, dar comida."

Apaixonada pelos os filhos, Paes completa dizendo que ser mãe é um momento mágico e incrível. "Eu brinco dizendo para os meus filhos: 'Vocês saíram daqui, da minha barriga' [risos]. Tem uma coisa mágica nisso que é realmente intraduzível."