"Ser gorda não significa ser doente", diz a bailarina Thaís Carla

Foto: Reprodução/Instagram@thaiiscarlaoficial

"Corpo todo. Corpo gordo. Corpo livre." Esse é o lema de Thaís Carla, a bailarina de 27 anos que se tornou exemplo de autoestima ao romper com os tabus e provar que as gordas também podem ser sexy e saudáveis, bem como ter uma vida sexual ativa e bastante prazerosa. "Se aceitar não é comodismo, é liberdade", afirma ela, que não esconde o amor que sente pelo seu corpo.

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Nascida em Nova Iguaçu (RJ), Thaís começou a dançar aos 4 anos, inspirada pela irmã mais velha. E ainda que muitos de seus professores não acreditassem que pudesse ter um futuro na dança --não por falta de talento, mas por causa do seu corpo--, ela nunca desistiu. "Nas apresentações, eles sempre me colocavam no fundo", conta a dançarina, que disse ter transformado esse "pequeno empecilho" em um "motivador" para correr atrás dos seus sonhos.

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"E naturalmente a vida foi me dando muitos presentes", conta Thaís, que cita a participação no quadro "Se Vira nos 30" do "Domingão do Faustão" como o primeiro ápice de sua carreira. "Minha irmã me filmou escondida, enviou o material ao programa e eu acabei ganhando o prêmio aos 17 anos." E a partir daí muitas oportunidades sugiram. Trabalhou como bailarina da cantora Anitta por dois anos, ganhou um quadro especial no "Legendários", na Record, e, agora, atua como influenciadora.

"Gordo pode tudo"

Foto: Reprodução/Instagram@thaiiscarlaoficial

"Ser gorda nunca me impediu de ser ou fazer o que quisesse", afirma Thaís Carla. Segundo ela, a dança a ensinou se amar. "Os treinos exigem que olhemos constantemente ao espelho, até para saber se estamos ou não fazendo os passos corretamente. E o espelho se tornou o meu melhor amigo. Eu amo o que vejo nele. Lá não está apenas um corpo, mas toda uma história", aponta ela, que, apesar da pressão familiar e social, nunca se incomodou com o seu peso ou com as comparações que eram feitas entre ela e a irmã --que sempre foi mais magra.

"Na infância, pressionada pelo o que os outros diziam, minha mãe me proibia de comer muitas coisas e também me fazia acordar cedo para correr. Ela temia que eu sendo gorda, pudesse ter algum problema de coração ou qualquer outro problema de saúde", lembra a dançarina.

De acordo com ela, as piadas gordofóbicas na escola também não foram um problema. "Sempre soube reverter isso a meu favor e aqueles que me zoavam acabavam virando meus amigos. Era uma garota engraçada e rodeada de amigos. Sem contar que o meu tamanho --na altura e na largura-- intimidava um pouco as pessoas."

Nunca deixei ninguém me humilhar

"O que dói mais nas pessoas é que o que elas pensam ou dizem sobre mim não me incomoda." E ao ser questionada sobre qual a parte do corpo que mais gosta, a resposta é direta: "ele inteiro". "É a minha forma de expressão. Ele me representa."

"Ser gorda, não significa ser doente"

A bailarina Thais Carla luta contra gordofobia (Foto: Reprodução/Instagram@thaiiscarlaoficial)

Como aponta Thaís, ser gorda e ter saúde ainda choca muito às pessoas, assim como ser gorda e não ser sedentária. Mas, ao contrário do senso comum, a dançarina não descuida da saúde física. Faz check-ups constantes e reserva diariamente um tempinho para se exercitar --seja para caminhar na praia, para ir à academia ou exercitar uma coreografia nova.

A alimentação também não é descontrolada. "Não me privo de comer nada. Mas evito os excessos. Atualmente, minha alimentação é rica em frutos do mar. Adoro peixe com salada, mas também gosto de comidas mais pesadas e gordurosas. Portanto, sempre busco o equilíbrio."

Em 27 anos, Thaís Carla fez regime uma única fez na vida, mas a experiência não foi nada agradável. "Aceitei participar de um programa de emagrecimento único e exclusivamente pelo dinheiro. Cheguei a perder quase 40 kg em 3 meses, mas não me sentia saudável. Além de me sentir fraca e desnutrida, meu cabelo e minha unha começaram a cair. Aquela não era eu", recorda ela.

Mas o grande segredo da bailaria é o cuidado com a saúde mental. "Sempre vou até ao cais próximo de casa para exercitar a mente, fazer exercícios de respiração, refletir sobre a vida, agradecer por tudo que tenho e me proteger das coisas tóxicas do mundo", revela ela, que cita a mente como o principal limitador das pessoas.

"Também faço sexo e muito"

Thais Carla e sua filha (Foto: Reprodução/Instagram@thaiiscarlaoficial)

Thaís Carla encontrou o amor pela internet e, há quatro anos, vive com o fotógrafo baiano Israel Reis. E foi com esse amor que ela desafiou os prognósticos e realizou o sonho da maternidade. "Muitos me diziam que nunca conseguiria engravidar por ser gorda. Mas aí nasceu a Maria Carla para provar que estavam enganados."

A dançarina diz ter uma vida sexual bastante ativa, iniciada muito antes de Israel. "Meu corpo nunca foi um limitador para o prazer", afirma ela, que reforça que seu corpo não a limita em nada. E é isso que Thaís pretende ensinar a filha de apenas dois anos. "A crio para ser livre, voar com as suas próprias asas, encontrar a própria felicidade, ser empoderada e ter atitude."