Senado coleta assinaturas e pode abrir CPI para apurar omissão de governo Bolsonaro na pandemia

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Foto: Andre Borges/NurPhoto via Getty Images
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O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) reuniu assinaturas suficientes para protocolar um pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar eventuais omissões e ações incorretas tomadas pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido) no combate à pandemia do novo coronavírus.

O pedido conta com 31 assinaturas de parlamentares, mais do que as 27 necessárias. O documento, segundo a Folha de S. Paulo, foi registrado na manhã desta quinta-feira (4).

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A Comissão, contudo, não é uma certeza estabelecida já que Rodrigo Pacheco (DEM-MG), novo presidente do Senado que conta com apoio de Bolsonaro, ainda precisa decidir se instaura ou não a CPI.

O requerimento conta com assinatura de parlamentares de diversas legendas como: PT, PSDB, MDB, PSD, PDT, PSB e Podemos. Simone Tebet (MDB-MS), derrotada por Pacheco, também deu seu aval ao requerimento.

No texto, o requerimento diz que o governo federal tem contrariado direitos fundamentais básicos, além de afirmar que o Brasil tem dado “péssimo exemplo” durante a crise sanitária. O país já soma mais de 227 mil óbitos motivados por Covid-19, além de mais de 9,3 milhões de casos confirmados.

O texto da petição de Rodrigues alega ainda que a gestão Bolsonaro tem deixado de "maneira irresponsável" de seguir as normas sanitárias das principais organizações de saúde do mundo.

"O governo Bolsonaro parece ter optado por lavar as mãos e se omitir, incentivando até mesmo tratamentos sem nenhuma evidência científica, além de atrapalhar os esforços de prefeitos e governadores", diz trecho do requerimento.

Há também uma citação ao colapso sem precedentes no sistema de saúde em Manaus. Na capital amazonense, no mês passado, pacientes com Covid-19 morreram por asfixia devido ao desabastecimento de oxigênio hospitalar em unidades de saúde.

"É preciso analisar com urgência a grave omissão do governo federal, que foi alertado de que faltaria oxigênio nos hospitais de Manaus quatro dias antes da crise, mas nada fez para prevenir o colapso do SUS (Sistema Único de Saúde)", ressalta o texto.