Sem morte por Covid há 2 meses, Ilhabela vira 'Nova Zelândia brasileira'

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*ARQUIVO* ILHABELA, SP, 10.12.2018: Praia Saco da Capela, em Ilhabela (SP), com veleiros, lanchas e iates parados em sua orla (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*ARQUIVO* ILHABELA, SP, 10.12.2018: Praia Saco da Capela, em Ilhabela (SP), com veleiros, lanchas e iates parados em sua orla (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Com apenas um paciente internado em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), dois em enfermaria aguardando resultados de exames e 11 pessoas recebendo acompanhamento domiciliar, Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, se aproxima de dois meses sem mortes causadas em decorrência da Covid-19.

O último óbito provocado pela doença foi registrado em 8 de julho, segundo a Secretaria da Saúde local. A cidade estava sendo chamada de 'Nova Zelândia brasileira', em alusão ao país em desde 15 de fevereiro não registrava mortes em virtude do novo coronavírus. No sábado (4), porém, o governo neozelandês anunciou a morte de uma idosa de 90 anos decorrente de complicações da Covid.

Desde o início da pandemia, 7.880 moradores foram diagnosticados com a Covid-19 no município de 36 mil habitantes, dos quais 41 morreram. De março até final de agosto, turistas que usaram a balsa entre São Sebastião e a ilha nos fins de semana e feriados precisaram apresentar testes negativos de Covid-19 realizados até 48 horas antes do embarque.

Na cidade, a população tem vivido uma vida relativamente pré-pandemia, com comércio, bares e restaurantes funcionando normalmente e o fim da exigência do teste negativo para a doença.

Para evitar o avanço do vírus, e consequentemente, as mortes, a cidade tem apostado na atenção primária à saúde, na proximidade com os moradores e, mais recentemente, na testagem em massa dos profissionais da educação.

Na primeira dessas medidas, intitulada programa de monitoramento domiciliar, agentes de saúde fazem o monitoramento de todos os casos de Covid-19 –desde os suspeitos até os confirmados– e realizam a busca ativa das pessoas próximas aos contaminados.

O programa foi criado em janeiro, quando a pandemia se agravou com a circulação da variante gama do novo coronavírus, mais agressiva.

Segundo a secretária da Saúde, Lúcia Reale Collucci, o monitoramento dos pacientes com sintomas gripais começa assim que ele procura a unidade de saúde pela primeira vez, estende-se às orientações para os familiares e segue até ele estar curado.

Em casos de pacientes com sintomas leves, o monitoramento é feito até completar uma semana após o diagnóstico da Covid-19. Pacientes que desenvolvem a forma grave da doença e precisam de tratamento pós-Covid-19 seguem sendo acompanhados pelos fisioterapeutas do município.

“O acompanhamento é feito diariamente por telefone e também de maneira presencial com a visita do profissional de saúde de duas a três vezes por semana”, disse a secretária.

A proximidade do poder público com os moradores é outro fator que, segundo o município, contribui para o controle da pandemia. A cidade fornece oxímetro –aparelho que é colocado no dedo para saber a saturação de oxigênio no sangue– para os moradores com quadro de falta de ar devido à Covid-19, mas que não necessitam de internação.

“Quanto mais cedo identificamos um possível agravamento da doença, melhor é o resultado do tratamento e maiores as chances de cura. E cada vida que conseguimos salvar é muito importante”, disse o prefeito Toninho Colucci (PL).

Com a retomada gradual das aulas nas redes municipal, estadual e privada de ensino, o município passou a testar semanalmente os profissionais da área da educação.

O objetivo é evitar o contágio dentro das escolas e um possível surto da doença. A testagem em massa teve início na primeira semana de agosto e, até o momento, a cidade já totalizou mais de 2.000 exames.

Entre os profissionais testados estão professores, monitores de alunos, auxiliares de primeira infância, merendeiras, auxiliares de limpeza, motoristas, inspetor de alunos, secretários de escola, diretor escolar, coordenador pedagógico, profissional da alimentação escolar e auxiliar de serviços gerais.

“A gente se sente seguro em trabalhar e passa esse sentimento para os alunos e familiares, que confiam que o ambiente escolar está realmente preparado para receber essas crianças”, afirmou a professora Valdirene Aparecida da Silva Dionísio, 50, que há 21 anos trabalha na rede municipal.

Aliado a essas medidas, a cidade segue vacinando a população. Nesta semana teve início a imunização de adolescentes de 15 a 17 anos sem comorbidades.

Segundo o vacinômetro, 28.790 pessoas foram imunizadas com a primeira dose até quinta-feira (2), das quais 13.606 já concluíram o esquema de vacinação com as duas doses ou receberam a vacina de dose única.

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