'Não seja covarde!': ator americano Tom Hanks compara pandemia a uma guerra

Por Andrew MARSZAL
Tom Hanks e sua mulher, Rita Wilson, foram as primeiras grandes celebridades de Hollywood a contraírem o novo coronavírus

Tom Hanks ficou "inconsolável", ao saber que a pandemia impedirá que seu novo filme - ambientado na Segunda Guerra Mundial - chegue aos cinemas, mas disse esperar que, quem for assistir em casa, perceba a importância de agir com decência durante uma crise global.

"Greyhound", que estreia nesta sexta-feira (9) nos Estados Unidos pela plataforma de streaming Apple TV+, foi escrito e protagonizado por Hanks, que interpreta o capitão de um navio da frota aliada, cruzando o gelado oceano com submarinos nazistas à espreita.

O filme acompanha a aterrorizada jovem tripulação de um destróier - sem apoio aéreo -, unida na responsabilidade de proteger a frota e seus companheiros de armas.

"Esses caras no navio (...) tudo que podem fazer é o que se espera deles. E se espera alguma combinação de acaso e sorte", disse Hanks, em uma entrevista coletiva virtual.

"A COVID-19 ninguém sabe quanto tempo vai durar, ninguém sabe quem vai morrer por ela (...) Não precisa ir muito longe para ver as correlações e as semelhanças com os anos de guerra", insiste.

Hanks fala com propriedade. O protagonista de "O resgate do soldado Ryan" e produtor de "Band of Brothers" ("Irmãos de guerra") foi a primeira estrela de Hollywood a contrair o novo coronavírus.

Até agora, a COVID-19 já deixou 130.000 mortos nos Estados Unidos, com um alarmante avanço de 50.000 novos casos diários no país.

Ao comparar as simples instruções de se manter o distanciamento social e usar máscara ao calvário destes soldados, enquanto seus navios eram atacados por mísseis, Tom Hanks fica indignado.

"Se alguém não consegue encontrar em si mesmo uma forma de praticar essas coisas tão básicas, acho que é uma vergonha", afirmou.

"Não seja covarde. Continue, faça sua parte. É algo muito básico", insistiu.

- "Inferno" -

Um assumido fã de História, Hanks baseou seu roteiro no romance "O bom pastor", de C. S. Forester, um projeto de sete anos que começou quando teve acesso a uma edição de segunda mão.

"Tinha a capa original e era do (comandante) Ernie Krause grisalho, acabado, exausto, com o uniforme balançando ao vento, barcos afundando e queimando no horizonte", lembrou Hanks.

"E pensei (...) esse homem está exausto. Esse homem passou, de alguma forma, pelo inferno", continuou.

O diretor Aaron Schneider construiu o set de filmagem baseado no "USS Kidd", o único destróier não modificado da Segunda Guerra Mundial que ainda resiste e está em um museu de Louisiana.

Para maior autenticidade, algumas cenas de interior foram filmadas nesta embarcação, que sobreviveu a um ataque camicase em 1945.

"Ele se sente como se tivesse sido colocado no destróier e deixado sozinho", comenta Schneider.

Com muitas salas de cinema fechadas nos Estados Unidos pelo coronavírus, Hanks admitiu sua tristeza com o fato de o público assistir a este projeto sem a experiência de comunhão que a telona proporciona.

Os produtores decidiram que não valia a pena adiar a estreia, com vários outros grandes lançamentos disputando a programação no inverno boreal (verão no Brasil) e em 2021. A Sony resolveu, então, vender o filme com exclusividade para a Apple TV+.

"Todos estamos desconsolados com o fato de que este filme não será projetado nos cinemas", lamentou Hanks.

"Mas com esta opção descartada, literalmente descartada, ficamos com esta realidade. Temos um filme pronto para estrear, que é oportuno por conta da COVID-19", acrescentou.

"Assim como Ernie Krause estava no meio do Oceano Atlântico, se perguntando quando, como e se iria sobreviver e fazer seu trabalho, todos estamos no meio da crise da COVID-19, que foi cinco vezes maior do que antecipamos que seria", apontou.

"E não sabemos quando, como, nem se vamos sair dela, e quem nos acompanhará do outro lado", completou.