Segundo estudo, adolescentes pararam de beber e fazer sexo

As taxas de gravidez na adolescência estão no nível mais baixo, em décadas [Foto: Getty]

Adolescentes têm uma má reputação quando o assunto envolve bebedeiras e aventuras sexuais.

Mas acontece que, na verdade, eles preferem passar mais tempo online e socializar com suas famílias do que fazer sexo, sugere um novo estudo.

A pesquisa feita pelo British Pregnancy Advice Service (BPAS) com 1.000 adolescentes entre 16 e 18 também revelou que os adolescentes estão consumindo menos álcool e estão mais focados em sua educação formal e futuras carreiras.

Confira os fatores que, segundo o BPAS, podem ter influenciado na redução dos níveis de gravidez na adolescência para sua porcentagem mais baixa, desde que se tem registros.

Segundo o Office for National Statistics (ONS), 18.076 jovens menores de 18 anos engravidaram na Inglaterra e no País de Gales em 2016, representando uma queda de 11% em relação ao ano de 2015.

Isso equivale a 18,9 concepções por mil mulheres entre 15 a 17 anos, comparado a uma taxa de 47,1 por mil em 1969.

A pesquisa do BPAS descobriu que as atitudes em relação à gravidez na adolescência aparentemente mudaram. Quatro a cada cinco jovens sentem que há um estigma relacionado a se tornar um pai ou mãe adolescente e as mulheres já não esperam receber apoio do Estado ou de seus familiares, caso engravidem.

Enquanto a maioria tenha dito que sempre ou geralmente usam contraceptivos quando fazem sexo, 14% disse que “raramente” ou “nunca” têm relações sexuais (14% é muita coisa, certo?).

Dois terços dos adolescentes entrevistados disseram que nunca tiveram relações sexuais.

Enquanto isso, a maioria dos entrevistados (82%) disse que tirar boas notas ou ter sucesso na carreira escolhida era uma prioridade, em comparação com cerca de dois terços (68%) que disseram o mesmo sobre passar tempo com seus companheiros.

Adolescentes preferem passar mais tempo com suas famílias e se concentrar em seus estudos, a fazer sexo [Foto: Getty]

Além de priorizar os estudos em detrimento a passar tempo com os amigos, a pesquisa também sugere que os adolescentes estão rejeitando outros comportamentos estereotipados ligados a atividades sexuais, como beber em excesso.

Enquanto quase um quarto (24%) disse que nunca bebe álcool, entre os que bebem, a maioria o faz em níveis relativamente baixos, com 28% consumindo 1-2 unidades em uma ocasião típica, e metade (50%) consumindo 1- 4 unidades.

Quando se trata de socializar com seus amigos, mais de dois terços (70%) disseram que conversam com amigos online quatro ou mais vezes por semana, enquanto menos de um quarto (24%) disseram que procuram ficar com seus amigos pessoalmente.

O estudo sugeriu que essas decisões podem ter um impacto sobre a atividade sexual dos adolescentes.

Quase metade daqueles que encontram amigos pessoalmente, quatro vezes por semana, disseram já ter tido relações sexuais antes, em comparação com 29% que veem seus amigos menos de uma vez por mês.

Cerca de 15% dos adolescentes que encontram seus parceiros todos os dias, nunca tiveram relações sexuais, em comparação com 42% daqueles que veem sua namorada ou namorado uma vez por mês ou menos.

Comentando as descobertas, Katherine O’Brien, chefe de pesquisa política do BPAS, disse: “Nossa pesquisa revela que esta é uma geração focada em sua educação, consciente dos desafios econômicos, mas determinada a ter sucesso independentemente disso, e muitos deles aproveitam o tempo com suas famílias tanto quanto com parceiros e amigos. Eles parecem valorizar significativamente a responsabilidade e maturidade, especialmente quando se trata de álcool e sexo”.

“Acreditamos que os próprios jovens estão fazendo escolhas diferentes sobre o modo como vivem suas vidas”, continuou ela.

“Se pudermos manter um bom acesso aos serviços de contracepção para os jovens, há todos os motivos para ter esperança de que esse profundo declínio da gravidez na adolescência tenha vindo para ficar”.

Marie Claire Dorking