Secretários de Saúde pedem que todas vacinas contra Covid-19 sejam incorporadas a programa de imunização

Camila Zarur
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RIO — O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais (Conasems) pediram para que todas as vacinas contra a Covid-19, “com reconhecidas eficácia e segurança”, sejam adquiridas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Os órgãos reforçam ainda que devem ser incorporadas ao programa “as que já estão sendo testadas no Brasil”.

O pedido foi feito em um comunicado divulgado neste sábado e afirmam que a campanha de vacinação contra o novo coronavírus deve ser feita com a “máxima brevidade”.

“O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) reiteram a defesa da incorporação pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) de todas as vacinas contra a Covid-19, com reconhecidas eficácia e segurança, especialmente as que já estão sendo testadas no Brasil, considerada, ainda, a necessidade de se alcançar a imunização de toda a população brasileira, com a máxima brevidade”, diz a nota.

O apelo para que todas as vacinas sejam adquiridas, inclusive as que estão sendo testadas no Brasil, é uma indireta ao Ministério Público para que a Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan e pelo laboratório chinês Sinovac Biotech, seja incluída no plano nacional de imunização. O imunizante não foi citado no esboço da campanha divulgado pela pasta nesta semana.

A vacina já foi alvo de ataques do presidente, Jair Bolsonaro, que chegou a afirmar que não compraria o imunizante. Pouco depois, no entanto, ele voltou atrás e afirmou que “poderia autorizar a compra”. O governo federal tem uma rixa política a respeito da Coronavac, por ela ter sido desenvolvida com apoio chinês e em São Paulo, cujo governador, João Doria, é visto como adversário de Bolsonaro.

A nota do Conass e do Conasems, no entanto, reforça que “restrições ao número de fornecedores” dos imunizantes podem causar “atrasos no acesso à vacina para grupos prioritários de risco”, visto que a atual situação da pandemia já aponta para “um cenário de insuficiência de doses para a vacinação de todas as populações”.

Os conselhos reforçam ainda que “é urgente” que o Ministério da Saúde, responsável pelo PNI, é quem deve coordenar “os processos de avaliação para o uso emergencial de vacinas contra a Covid-19, a logística de aquisição de insumos, o sistema de informações, a definição das estratégias de monitoramento e avaliação da campanha e, principalmente, a aquisição das vacinas” para que a imunização seja feita de forma justa por todo o país, sem que nenhuma região seja privilegiada ou saia prejudicada. O comunicado afirma ainda que a decisão sobre a vacinação não deve ser pautada “por questões alheias aos interesses” do Brasil.

“A falta da coordenação nacional, a eventual adoção de diferentes cronogramas e grupos prioritários para a vacinação nos diversos estados são preocupantes, pois gerariam iniquidade entre os cidadãos das unidades da federação, além de dificultar as ações nacionais de comunicação e a organização da farmacovigilância, que será fundamental com uma nova vacina”, diz a nota.