Secretário de Fazenda de Paes, Pedro Paulo fala em cenário 'trágico' nas contas, com déficit de R$ 10 bi em 2021

André Coelho
·2 minuto de leitura
Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Futuro secretário de Fazenda, Planejamento e Controladoria do governo de Eduardo Paes na prefeitura do Rio, o deputado federal Pedro Paulo (Dem) traça um cenário "trágico" nas contas municipais para o próximo ano. Segundo números apresentados em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, dia 2, a prefeitura deve ter um rombo de R$10 bilhões no próximo ano.

Diante da previsão, Pedro Paulo afirmou que pediu à Câmara Municipal que não vote o projeto de redução do IPTU enviado por Marcelo Crivella às vesperas do primeiro turno das eleições. Ele afirmou que casos de aumentos abusivos precisam ser revistos, mas a aprovação da proposta atual pode agravar ainda mais a situação da prefeitura.

— A gente precisa rever esse projeto que o Crivella mandou no desespero às vesperas da eleição. Precisamos rever os excessos, principalmente nas zonas Norte e Oeste, mas fazer isso no seu devido tempo. Temos que fazer justiça, mas que a gente não desequilibre as receitas do município.

Segundo Pedro Paulo, hoje não há garantia de recursos para pagamento das folhas dos servidores de dezembro e do décimo terceiro salário. O futuro secretário projeta ainda um déficit acumulado de R$ 7,5 bilhões de 2020 que ficarão para a próxima gestão, além de R$ 2 bilhões de receitas superestimadas e despesas infladas na proposta orçamentária enviada por Crivella à Câmara.

Pedro Paulo criticou a gestão fiscal e a proposta orçamentária de Crivella. O projeto de lei orçamentária prevê receitas e despesas na ordem de R$ 31,2 bilhões, mas, segundo Pedro Paulo, a receita real costuma ser de no máximo R$ 28 bilhões.

— A prefeitura enganou os relatórios, mas não enganou o caixa — afirmou.

Nesta quarta-feira, Eduardo Paes apresentou mais uma secretária e três futuros subprefeitos. Destacando que a gestão terá um compromisso "antirracista", o prefeito eleito apresentou a professora da rede municipal Marli Peçanha para uma nova secretaria, chamada de Ação Comunitária. A primeira mulher anunciada para assumir uma pasta municipal no novo governo foi Anna Laura Secco, para a Conservação.