Secretário da Cultura de Doria diz que recebeu carta de alforria para posse de colega negra

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 29.01.2020 - O secretário da Cultura de São Paulo, Sérgio Sá Leitão. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 29.01.2020 - O secretário da Cultura de São Paulo, Sérgio Sá Leitão. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O secretário estadual de Cultura de São Paulo, Sérgio Sá Leitão, disse nesta segunda-feira (30) que havia recebido uma "carta de alforria temporária" do governador João Doria (PSDB) para representá-lo na cerimônia de posse da nova secretária municipal da Cultura, Aline Torres.

A carta de alforria era um documento por meio do qual um senhor de escravos abria mão dos direitos de propriedade sobre eles.

A nova secretária, que assumiu o posto com a saída de Alê Youssef, é gestora cultural ligada aos movimentos negro e feminista.

Segundo relatos ao Painel, a fala de Sá Leitão gerou constrangimento imediato em pessoas presentes, que trocaram olhares de reprovação.

"Trago aqui uma palavra do governador João Doria, nós estamos neste momento na reunião de secretariado, da equipe de secretários do governo, e eu consegui essa carta de alforria temporária, mas vou ter que voltar para lá. Mas ele pediu que eu o representasse aqui nesse momento tão importante e trouxesse uma palavra dele", disse Sá Leitão durante o evento.

"Primeiro, de elogio a você, Ricardo [Nunes, prefeito], pela decisão de convidar a Aline para exercer essa função. Como destacaram a Rute [Costa, vereadora] e o Baleia [Rossi, presidente do MDB], por ser mulher, por ser negra, e também por conhecer profundamente o assunto", completou.

Em nota, Sá Leitão disse que não houve constrangimento e que todos os presentes entenderam seu discurso. De toda forma, disse que pede desculpas caso alguém tenha se sentido ofendido.

"Em primeiro lugar, não houve qualquer constrangimento durante minha fala na posse da nova secretária de Cultura do município de São Paulo, Aline Torres. Todos os presentes entenderam meu discurso e o contexto no qual ele estava inserido. De qualquer forma, se alguém se sentiu ofendido, peço desculpas, pois não tive a menor intenção de causar qualquer mal-estar e muito menos ofender alguém", diz a nota.

"Ao contrário, minha trajetória como gestor é pontuada por iniciativas que reforçam o respeito pelas diferenças e a luta pela igualdade. Como ministro, por exemplo, promovi a recuperação total e a reabertura ao público do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em Alagoas. Fui o único a visitá-lo, inclusive, ao lado do também ex-ministro da Cultura Gilberto Gil", conclui o secretário.

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