'Se tivesse medo de homem, não dormia com um', diz prefeito de Lins após ataques

Fala de Edgar Souza (à esquerda) foi compartilhada nas redes sociais pelo perfil do próprio PSDB. (Foto: Reprodução/Twitter)

Era para ser uma entrevista desmentindo uma fake news, mas acabou tornando-se um viral e, mais do que isso, uma bandeira de combate à homofobia dentro da política nacional.

Ao esclarecer um boato surgido de áudio de WhatsApp sobre uma suposta “indústria da multa”, o prefeito de Lins, Edgar Souza (PSDB), desabafou contra os ataques que sofre por ser assumidamente homossexual.

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“Falam tanto do prefeito gay, que é viado, tenha coragem. Seja homem ou mulher, e apareça! Diga: ‘eu estou afirmando isso’. Dê a cara a tapa. Teve um que falou que ia me quebrar a cara, eu respondi e estou esperando até agora, não chegou para quebrar minha cara. Se eu tivesse medo de homem, não dormia com um”, afirmou ele, em entrevista ao portal Nova TV, na última quinta-feira (16).

A declaração repentina veio em reposta a um comentário feito após o prefeito se justificar sobre as falsas acusações. A fala de Souza foi publicada pelo perfil do PSDB nacional no Twitter, na noite de segunda-feira (20), e desde então tem sido compartilhada nas redes sociais.

Em entrevista ao Yahoo Notícias, o prefeito fala sobre os diversos ataques homofóbicos sofreu - e ainda sofre - durante sua trajetória na política. “Foi um desabafo, não tive intenção de viralizar. Mas tem uma coisa muito positiva nisso que é mostrar a necessidade de se construir o debate político sem ameaças e sem confronto”.

Dizendo ser um “pacifista raiz”, o tucano é presidente do Diversidade Tucana e afirma ser velho-conhecido das autoridades policiais de Lins. “Sinceramente, não sei dizer quantos BOs eu já fiz na polícia por ataques pessoais. Eu busco distinguir o que é a crítica política, mesmo as mais duras, do que é a homofobia, do que é ameaça. Se não, iria ser um boletim de ocorrência por hora”.

Um levantamento rápido feito após a entrevista mostrou que, desde 2016 até agora, foram 15 boletins de ocorrências feitos devido à ataques e ameaças homofóbicas contra Souza.

“Não é intimidando que as coisas acontecem. É muito comum a pessoa gritar e ameaçar mulheres e gays por acharem que temos medo. Se gritar de volta, o gay ou mulher é histérico. Isso não cola. Não é a primeira vez”, argumenta o prefeito.

Confira a entrevista que viralizou:

Ele conta que foi em 2012, durante sua campanha à prefeitura de Lins, que sentiu o tom das ameaças subir.

“Na primeira campanha, em 2012, fui o foco de ataques extremamente homofóbicos, mas isso não colou. Quanto mais violentos eram os ataques, mais eu crescia na pesquisa. Em 2016, na minha reeleição, não apelaram contra mim porque sabiam que não ia colar”, detalha.

O método agora, segundo ele, é se esconder em perfis falsos. “Dias atrás circulou uma foto minha com uns amigos de uma viagem antiga, dizendo que peguei dinheiro público para fazer orgias. Falariam isso de um hétero? Não falariam. Sempre que tem esse tipo de golpe que passa da linha da cintura, a gente procura a Justiça”.

O prefeito tucano faz ainda uma distinção entre conservadores-liberais brasileiros do restante do mundo. “Eu gosto muito de fazer uma separação. O liberal-conservador de verdade respeita a instituições, defende e preza pela democracia, pelos direitos humanos. O que você tem no Brasil é um grupo reacionário e atrasado. O Bolsonarismo é um atraso, é um movimento neofascista, racista e LGBTfóbico”, dispara.