"Se for pra reforçar um estereótipo, eu me retiro imediatamente", ressalta protagonista de 'Sintonia'

O ator Christian Malheiros tem retratado importantes problemas sociais em seus trabalhos — desigualdade social em "Sintonia" (2019-), homofobia em "Sócrates" (2018), racismo nesses e em outros projetos. Tudo isso com o cuidado de humanizar seus papéis por entender que, especialmente, o cinema costuma "pegar um personagem preto e massacrar".

"Eu tento pegar esses lugares desses personagens 'azarados' e tento colocar eles nesse lugar da humanização. O meu trabalho é mais de humanização do que de atuação", frisa.

"Dentro do que já é o jovem preto de periferia, aquela coisa toda que todo mundo gosta de falar. Existe a humanidade desse personagem e é nesse lugar que eu vou sempre focar. (...) Se não for para ser desse jeito, eu não me vejo ali fazendo. Se for pra reforçar um estereótipo, eu me retiro imediatamente", acrescenta Malheiros.

A estratégia dele tem dado certo. Sua interpretação em “Sócrates”, por exemplo, lhe rendeu uma indicação ao Independent Spirit Awards 2019, conhecido como o Oscar do cinema independente, e o prêmio de “Melhor Ator” pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

Mas Malheiros entende que é preciso ainda mais. Além de atores negros, roteiristas, diretores e outros profissionais pretos precisam ter mais oportunidades de assumir e liderar os projetos, o que ainda não é frequente.

"Acho super legal o streaming. Mas, assim, dentro dessa estrutura, quem é que está ditando as regras? Quem é que está com o poder da caneta na mão? Do dinheiro? Pessoas brancas!", exemplifica. "Muitas vezes você está num projeto majoritariamente branco e falando sobre vidas pretas", critica Malheiros.

Um destaque positivo nesse sentido é o filme de estreia de Lázaro Ramos na direção, "Medida Provisória". O longa-metragem, que chegou aos cinemas em abril, é estrelado, roteirizado e produzido por diversos profissionais negros. Em entrevistas, Lázaro ressaltou que só pôde fazer isso ao se lançar diretor.

Ciente dessa realidade, Malheiros também pensa em "desenvolver outros lugares do audiovisual", a fim de contribuir ainda mais com sua comunidade.

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