Saúde pélvica: entenda a importância de cuidar da sua

Imagem ilustrativa do corpo de uma mulher (Foto: Getty Creative)
Imagem ilustrativa do corpo de uma mulher (Foto: Getty Creative)

Você já parou para pensar e cuidar da sua saúde pélvica? Nem sabe o que isso significa? Pois é hora de começar, porque dela dependem ações como fazer xixi e manter relações sexuais.

O assoalho pélvico é formado por um conjunto de ossos que contém os órgãos útero, ovários, vagina, vulva, bexiga e intestino. Seus músculos são componentes desse complexo e dão suporte a essas estruturas.

“Os músculos do assoalho pélvico respondem também ao nosso comando voluntário. Infelizmente, muitas mulheres, principalmente, não conhecem essa musculatura. Algumas não contraem nada ou apresentam inversão de comando. Explico: quando pedimos para contrair (para dentro), elas expulsam (para fora) ou vice-versa. E a mulher não percebe isso. Somente com o exame por toque digital intravaginal é possível constatar e avaliar o desempenho desses músculos”, explica Mara Etiene, fisioterapeuta do Instituto de Cuidados, Reabilitação e Assistência em Neuropelveologia e Ginecologia (Increasing) e doutora em ciências da saúde.

Imagem ilustrativa de uma ginecologista mostrando a pelve feminina (Foto: Getty Creative)
Imagem ilustrativa de uma ginecologista mostrando a pelve feminina (Foto: Getty Creative)

Nada de segurar o xixi

Segundo Mara, algumas situações ou hábitos cotidianos podem originar disfunções a longo prazo, como a incontinência urinária ou a incontinência de gases ou de fezes. O hábito de segurar o xixi por longos períodos (mais de quatro horas) é um que pode prejudicar a saúde pélvica. “Ficar esse tempo todo sem urinar quer dizer que a pessoa não tomou água adequadamente e/ou o cérebro já desistiu de dar a informação de que a bexiga deveria ser esvaziada”, diz a especialista.

Vida sexual afetada

A falta de cuidado com o assoalho pélvico também pode afetar a vida sexual da mulher, de acordo com a fisioterapeuta. “Existem várias disfunções que podem interferir e prejudicar a função sexual. O vaginismo é uma delas. O problema é uma contração excessiva dos músculos do assoalho pélvico ao redor da vagina, causando dor, chamada de dispareunia, na penetração”, conta Mara.

As já citadas incontinência urinária e de gases e/ou fezes – por causar constrangimento – também podem afetar significativamente a vida sexual da mulher.

Saúde pélvica e gestação

Além de maus hábitos, existem outros fatores que podem afetar a saúde pélvica feminina. O primeiro deles é a gestação. Na gravidez, o corpo da mulher passa por alterações posturais, principalmente da pelve e da coluna lombar, para que o bebê cresça e se desenvolva bem.

Imagem ilustrativa de uma gestante (Foto: Getty Creative)
Imagem ilustrativa de uma gestante com constipação (Foto: Getty Creative)

“Os tecidos da pelve, como músculos e ligamentos, devem se expandir, alongar, para permitir esse crescimento. Mas, se o aumento de peso da gestante, for excessivo, o assoalho pélvico pode sofrer lesões. Então, além de controlar vários fatores, a mulher precisa cuidar também de seu condicionamento físico. Músculos fortes são músculos também flexíveis”, afirma a fisioterapeuta.

Envelhecimento e menopausa

O envelhecimento também é outro fator que pode afetar a saúde pélvica feminina. Mara explica que, com o avançar da idade, hábitos – ou maus hábitos – se estabelecem. Ao se aproximar da menopausa, as alterações hormonais provocam um novo estado de funcionamento: inconstância da menstruação até sua finalização, secura vaginal, alteração da função sexual. Fatores complicadores podem ser desencadeados, como prolapso de órgão pélvico – popularmente conhecido como útero caído ou bexiga caída, obesidade ou perda de massa muscular e óssea.

“O assoalho pélvico como um todo e os músculos do assoalho pélvico especificamente têm de suportar uma nova carga e se adaptar. São situações nas quais podemos intervir”, fala a especialista.

Fisioterapia pélvica

A intervenção a qual Mara se refere se chama fisioterapia pélvica. Assim como reabilitamos um braço ou uma perna quebrada, é possível reabilitar o assoalho pélvico. “A fisioterapia pélvica é uma especialidade que trata as disfunções dessa região especificamente, mas sempre com uma visão de todo o corpo e fisiologia da paciente. Estamos sempre em contato com o ginecologista e as questões médicas da paciente”, explica a fisioterapeuta.

O tratamento vai desde a reeducação comportamental (como a ingestão de líquidos), passando por exercícios físicos até procedimentos com eletricidade (eletroestimulação) e com frio e calor (termoterapia), entre outros. A boa notícia é que a fisioterapia não só trata questões já instaladas, como também previne.

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