Quais os riscos de sair beijando todo mundo na 'Farofa da Gkay'?

Imagem ilustrativa de duas bocas coladas (Foto: Getty Images)
Imagem ilustrativa de duas bocas coladas (Foto: Getty Images)

A Farofa da Gkay, evento anual, que agita a vida dos influenciadores e movimenta as redes sociais, acontece desde segunda-feira (5) em um hotel de luxo de Fortaleza, no Ceará, e tem duração de três dias. Nas redes sociais, basta deslizar a tela do Instagram ou pesquisar entre os assuntos mais comentados do Twitter e só dá ela! O evento virou um grande festival de pegação, com direito a dark room e competição para saber quem beija mais bocas e bate o recorde de Viih Tube, que no ano passado beijou pelo menos 48 pessoas.

Parte do dark room da Farofa da Gkay 2022 (fotos: AgNews)
Parte do dark room da Farofa da Gkay 2022 (fotos: AgNews)

Mas, será que essa brincadeira da pegação faz mal para a saúde e pode transmitir doenças através da saliva? De acordo com a médica infectologista Claudia Mello, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, existem riscos de sair por aí beijando várias bocas como os famosos têm feito na Farofa da Gkay - e como muita gente faz no Carnaval.

"Se a gente pensar que há um aumento na exposição de doenças que podem ser transmitidas pela saliva, o risco aumenta. Fazendo um paralelo, se você pensar em infecção sexualmente transmissível, se você aumenta o número de parceiros, você aumenta o risco de pegar uma IST", explica a profissional.

A infectologista Larissa Tiberto destaca que é possível prevenir as doenças com exames e testagem de rotina, uma boa higiene oral, visitas regulares ao dentista, já que existem diversas doenças virais, bacterianas e fúngicas que podem ser transmitidas através do beijo, entre elas, herpes, mononucleose, HPV (Papiloma Vírus Humano), Monkey pox, gripe e resfriados, Covid-19, caxumba e até mesmo cárie.

"Aumenta também a chance de você pegar o vírus do Epstein-Barr, que é chamado como a doença do beijo. Ela não é tão transmissível como a Covid, por exemplo, mas nesse contexto, no geral as pessoas se infectam pelo Epstein-Barr na adolescência, que é justamente a época que a gente aumenta a exposição através de contatos de beijos ou de dividir uma bebida, tomar no mesmo canudinho, ficar muito grudado no grupo", acrescenta Claudia.

Anitta revelou que se infectou com o Epstein-Barr

A doença se tornou um dos assuntos comentados nos últimos dias depois que Anitta revelou que contraiu - e já tratou - o vírus.

Claudia Mello ressalta que algumas dessas doenças transmitidas pela saliva podem se agravar, como é o caso da gripe e Covid-19. "O Epstein-Barr, na maior parte das pessoas dá um quadro de febre, aumento dos linfonodos e dor de garganta, uma amigdalite. Quando se agrava pode causar o aumento dos linfonodos generalizado, uma hepatite e uma febre prolongada, dificuldade de fazer as atividades diárias pelo cansaço", explica.

A associação de que o Epstein-Barr pode causar esclerose múltipla, segundo a infectologista ainda não está bem estabelecida. "Há evidências que apontam que pode ter uma relação, mas é algo que está em estudo", diz.

Não existe um tratamento específico para o Epstein-Barr, e tudo é focado com um suporte sintomático. "Vai depender muito de como o paciente se sente. Se a questão for febre, hepatite, pode ser que ele precise de um suporte internado, porque isso pode afetar a função do fígado", indica a médica.

Uma vez infectado, uma das formas de prevenir a propagação dessas doenças seria justamente beijar menos bocas. Como ressalta Claudia Mello, quem está doente não deve participar de eventos com tamanha aglomeração e contato ou pelo menos ficar de máscara.

Entenda a diferença entre Herpes e Sapinho

A infectologista explica que existe uma confusão entre algumas pessoas que acreditam que sapinho e herpes são a mesma coisa, quando na verdade são bem diferentes. Claudia esclarece que herpes é uma infecção viral e no primeiro contato com o vírus pode gerar um quadro mais sério, com lesões na boca inteira, febre e linfonodos aumentados. Mas existe tratamento.

"Os vírus herpes ficam guardados em nosso corpo, ficam lá e eles podem reativar, quem tem herpes oral, quando passa um estresse estoura o herpes, ou quando toma sol ou menstrua, pode desencadear um episódio de recorrência do herpes".

Já o "sapinho" é uma infecção fúngica, a cândida, e no geral atinge bebês. "A cândida vive no corpo de algumas pessoas, ela faz parte da flora e em certas situações podem causar doenças. As formas mais comuns são os sapinhos em bebês que causam lesões brancas na boca e na mulher é comum a candidíase vaginose, que causa coceira e corrimento".

"Ela não é transmitida pela saliva e não costuma dar doenças em adultos jovens, só se a pessoa tiver alguma imunossupressão. Tem que investigar se a pessoa está usando corticoide, que está diminuindo a imunidade, ou ele tem alguma causa de base como HIV, causando AIDS, câncer, alguma coisa mais séria tem por trás de sapinho em adulto jovem", esclarece.

A também infectologista Larissa Tiberto acrescenta ainda que estima-se que mais de 80% dos adultos já tiveram contato com alguma dessas doenças transmitidas através da saliva. "Apesar de serem transmitidas pelo beijo, essa não é a única forma de transmissão. Pode ser transmitido por materiais contaminados com saliva, por exemplo talheres, canudo e copos", pontua.