Saiba onde pode faltar água nesta quarta-feira no Rio e na Baixada, de acordo com o rodízio programado pela Cedae

André Coelho
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Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo

Depois de ser cobrada pela Defensoria Pública Estadual (DPGE) e pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ), a Cedae divulgou nesta terça-feira (1º) o planejamento do rodízio de abastecimento que tem sido feito por conta de problemas na Elevatória do Lameirão. A companhia prevê que nesta quarta-feira (2) 22 bairros das zonas Sul, Norte e Oeste do Rio e três cidades da Baixada Fluminense tenham o fornecimento de água reduzido.

Segundo a companhia, os locais indicados têm “maior chance de terem pontos de desabastecimento, principalmente imóveis em locais mais altos”. Os pontos de hoje são: Botafogo, Leme, Urca, Tijuca, Vicente de Carvalho, Vila Cosmos, Colégio, Coelho Neto, Cordovil, Parque Columbia, Costa Barros, Pavuna, Anchieta, Guadalupe, Bangu, Campo Grande, Inhoaíba, Cosmos, Paciência, Santa Cruz, Sepetiba e Pedra de Guaratiba, no Rio, e as cidades de Nilópolis, Mesquita e São João de Meriti. O rodízio será divulgado diariamente no site: www.cedae.com.br/economizeagua.

A crise no abastecimento de água que atinge parte da capital e da Baixada Fluminense poderia ter sido evitada. Isso porque uma das sete bombas da Elevatória do Lameirão, que atualmente trabalha com 75% da capacidade, está quebrada desde dezembro de 2018 e só foi enviada para manutenção em abril de 2020. Caso ela estivesse em funcionamento, a paralisação de outras duas bombas, que queimaram em outubro e novembro deste ano, não teria afetado o abastecimento. Somente na cidade do Rio, cerca de um milhão de pessoas foram prejudicadas.

A denúncia foi feita ao EXTRA por um ex-funcionário da Cedae, que criticou a falta de prioridade dada à manutenção da bomba, que opera na unidade desde sua inauguração, em 1965. Em nota, a atual gestão da companhia, que assumiu no início de novembro, informou que “está realizando apuração de responsabilidade sobre o fato de o reparo ter sido iniciado em abril de 2020”. Segundo a empresa, o processo para reparo dos outros dois motores que pararam recentemente já foi iniciado. Procurado, o ex-presidente da Cedae Hélio Cabral negou que tenha atrasado a manutenção do motor e afirmou que deu início ao processo de reparo. Ele declarou que apresentou um dossiê sobre os problemas da empresa à Comissão de Saneamento da Assembleia Legislativa (Alerj), no início deste ano, em que apontava problemas encontrados na empresa.

Moradora do Rocha, na Zona Norte do Rio, a jornalista Rayssa Martins, de 24 anos, diz que ficou sem abastecimento desde o dia 17, e, quando a água chegava, não tinha pressão para ir até a caixa. Ela conta que precisou gastar R$ 800 com uma bomba para conseguir encher o reservatório, mas agora tem outro problema, a qualidade da água:

— Na semana passada estava muito forte o cheiro e com gosto ruim. Agora diminuiu, mas o cheiro está presente ainda. E a Cedae só veio aqui para marcar a conta, que já chegou.