Saiba as principais causas de odor vaginal e quando você precisa se preocupar

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Odores vaginais, o que fazer? (Foto: Getty Images)
Odores vaginais, o que fazer? (Foto: Getty Images)

Ainda que a higiene seja adequada, a vagina, que tem um pH ácido, entre 3,5 a 4,5, emana um cheiro característico, causado por lactobacilos, bactérias que habitam a região naturalmente e produzem um tipo de gás que cria o odor.

É quando o cheiro muda de uma hora para outra que se deve criar um alerta. “Por isso é tão importante conhecer seu próprio corpo e saber qual é o odor natural”, diz Karen Rocha De Pauw, ginecologista especialista pela Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

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Qualquer atitude ou hábito que modifique o pH, e por consequência o equilíbrio da flora vaginal, pode causar alterações no cheiro. Isso inclui mudanças na alimentação, doenças sistêmicas, uso de absorventes e medicamentos, retirada de pelos (que servem para proteger a mucosa), uma peça íntima que cause alergia na pele e até o sêmen masculino.

Quando o pH fica abaixo de 3,5, a região se torna ainda mais ácida, o que faz com que os lactobacilos morram e fungos cresçam. “Assim surge a candidíase, quadro que deixa o cheiro ‘azedo’ mais forte e provoca coceira, inchaço e corrimento”, indica Pauw.

Já se o pH está além de 4,5, a proliferação de bactérias como a Gardnerella vaginalis e Gardnerella mobiluncus, já presentes naturalmente na região íntima, mas em pouca quantidade, aumenta.

Elas são responsáveis pela vaginose bacteriana, uma inflamação comum, mas que causa constrangimento. “Ela gera um odor de peixe podre, que pode ficar nas roupas íntimas e até nas calças. É tão forte que geralmente as pacientes ficam temerosas que sintam o cheiro delas”, esclarece Luis Oscar Silva Valverde, ginecologista da Santa Casa de São José dos Campos.

De acordo com o médico, o maior perigo é para grávidas. A vaginose bacteriana pode levar ao parto prematuro ou fazer com que o bebê nasça com baixo peso.

O tratamento para ambos os quadros é considerado fácil pelos especialistas, já que se resolve em alguns dias, e pode incluir o uso de antibióticos orais ou tópicos.

Não relacionadas diretamente à mudança no pH, as ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) também podem alterar odores e causar corrimentos.

“Outra causa preocupante é quando a paciente nota um cheiro de carniça, que é característico de feridas – por trauma ou por ISTs – e também de câncer”, explica Pauw.

O tipo do cheiro, segundo a médica, já é uma boa pista para o especialista começar a investigação.

No caso de doenças sistêmicas, como o diabetes, que causa a mudança no odor por alterar a quantidade de açúcar na vagina, pode ser um sinal para ajustar o tratamento.

“Só tratar o cheiro às vezes não é suficiente. Por isso, além de conhecer seu corpo, o ideal é conversar com seu médico sobre histórico de saúde e características pessoais. Entendendo a paciente, o tratamento é assertivo”, diz Pauw.

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