Longe da mídia, Sabrina "ex-Boing Boing" vira tatuadora: "Focar no meu lado espiritual"

Sabrina Almeida relembra polêmicas e fala sobre nova profissão fora da mídia (Reprodução/Instagram Sabrina Boing Boing)
Sabrina Almeida relembra polêmicas e fala sobre nova profissão fora da mídia (Reprodução/Instagram Sabrina Boing Boing)

Se você assistiu televisão no começo da década passada, com certeza se lembra de Sabrina Boing Boing. Loira, cintura fina e seios fartos, a modelo gaúcha começou a carreira como cover de Pamela Anderson, na MTV Brasil, e estourou no Brasil.

Atriz, DJ e capa de diversas revistas masculinas, ela era figurinha carimbada nos programas de TV por conta de suas polêmicas, como cirurgias plásticas ousadas. Dentre elas, as próteses de 3 litros de silicone em cada seio e a promessa de descolorir os olhos para deixá-los azuis. Afastada da mídia desde 2018 por decisão própria, Sabrina Almeida conta que a personagem "Boing Boing" já não existe mais.

"Estou lendo algumas coisas que falei e rindo, vejo isso e penso que deveria ter alguns parafusos a menos. Falava muita coisa por empolgação, mas se fosse para fazer mesmo, não faria. Faz um ano que nem pinto meu cabelo, imagine descolorir os olhos? São fases, sou uma pessoa muito diferente, muito mais consciente na vida e jamais brincaria com algo que tem um risco tão eminente de dar errado. Vejo coisas que disse e fiz e penso: 'nossa, como eu era louca'", ri.

Nova profissão

Trabalhando como tatuadora desde 2018, quando aconteceu sua conversão para a igreja cristã, Sabrina atua principalmente em ajudar mulheres a recuperar a autoestima com tatuagens.

"Gosto de trabalhar com coberturas de estrias, cicatriz, vi que muitas mulheres tinham essa necessidade por conta de estética e que incomodava elas. Tenho um protocolo que a tatuagem não dói, é uma fórmula que eu uso, desenvolvi depois de muitos anos de experiência. Geralmente as mulheres não fazem tatuagem em cicatriz por causa da dor, mas ofereço esse serviço sem dor, minha primeira cliente até dormiu", revela.

Um dos motivos que a levou a escolher esse segmento dentro da tatuagem, que estuda mais profundamente há quatro anos, foi a possibilidade de devolver a autoestima para pessoas que passaram por traumas estéticos, como cirurgias bariátricas..

É emocionante porque muitas não usavam mais biquíni por causa de estrias, cicatriz, eu consigo substituir algo que era um trauma por um desenho que elas têm orgulho de mostrardiz Sabrina

"É um trabalho muito mais difícil, em termos de técnicas, mas prefiro porque é gratificante. Uma das meninas chorou de emoção com a cobertura de uma cicatriz bariátrica e usou um biquíni depois de 20 anos, é gratificante demais", revela ela, que faz preços mais acessíveis para as clientes que buscam resgatar a autoestima.

E se hoje Sabrina ajuda outras mulheres, ela conta que essa foi a forma que encontrou "como válvula de escape" para se ajudar em relação a sua própria vaidade. Se como Boing Boing seu sonho era aumentar ainda mais as próteses de silicone, a Sabrina de hoje passa longe desse objetivo.

"Preciso trocar as próteses por conta do prazo de validade e aconteceu o que todo mundo dizia: estou com dor nas costas por causa do peso. Estou corrigindo com exercícios físicos porque não é nada confortável, mas pretendo trocar e diminuir um pouco o tamanho para ficar com uma aparência melhor visualmente."

Longe dos holofotes

Aos 37 anos, além de tatuadora, Sabrina também mantém uma loja online com roupas de brechó, vontade que surgiu a partir da consciência ao explorar mais o consumo sustentável na moda. Sobre a fama, Sabrina é enfática ao falar sobre sua decisão de se afastar dos holofotes para se reencontrar como Sabrina Almeida.

"O principal motivo foi essa mudança de visão de vida, me converti na igreja evangélica no final de 2018 e tomei decisões. O trabalho na mídia estava atrelado a coisas que não queria mais fazer, muita futilidade, exposição do corpo, eu preferi focar mais no meu lado espiritual do que na mídia. Não sinto absolutamente nenhuma falta, hoje percebo que me fazia muito mais mal do que bem. Estava doente psicologicamente e nem conseguia enxergar, me sentia afundada. A Sabrina Boing Boing é um personagem e teve uma época que isso estava misturado com o meu eu real, não conseguia separar."

Sabrina Almeida relembra polêmicas e fala sobre nova profissão fora da mídia (Reprodução/Instagram Sabrina Boing Boing)
Sabrina começou a carreira como cover de Pamela Anderson (Reprodução/Instagram Sabrina Boing Boing)

Olhando sua trajetória, Sabrina não desdenha do que a fama trouxe de bom para sua vida e se diz realizada com tudo que viveu, mas não faz planos para voltar a se expor como antes.

"No sentido financeiro fazia bem, ganhava muito mais do que ganho hoje. Comprei coisas que queria, viajei para lugares que queria conhecer, fiz uma ponta no cinema, realizei coisas legais que tenho orgulho. Mas gostei de ganhar de volta a minha liberdade, ir nos lugares sem ser reconhecida. Se eu fizer um balanço da vida, de onde comecei até onde cheguei, me considero realizada, tive uma vida muito intensa, vivi muita coisa que jamais imaginei quando era menina e estava no interior do Rio Grande do Sul."

"Me sinto realizada porque amadureci muito, sou muito mais consciente com tudo. O que não realizei ainda está próximo de acontecer. Meu maior sonho é ter minha saúde 100% em dia, que é o principal para conquistar o resto. Quero morar numa praia bem linda, ter meu estúdio de tatuagem e ter um espaço para meus animais, gatos e cabras, que eu amo."

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