Saúde municipal pede intervenção de rede hospitalar após 65 mortos por coronavírus

ROGÉRIO PAGNAN
Foto: AP Foto / Andre Penner

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo pediu intervenção imediata em três hospitais da rede Sancta Maggiore, do grupo Prevent Senior, especializada no atendimento de idosos e que concentra 65 das 113 mortes por Covid-19 do estado.

O pedido foi encaminhado na última sexta-feira (27) à Secretaria Estadual, que tem competência para fazer a intervenção, mas ainda não há uma resposta.

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Na capital há oito unidades com nome Sancta Maggiore e o pedido se refere a três delas, no Paraíso, Pinheiros e Santa Cecília.

Essa rede já foi alvo de ações de fiscalização de equipes da Saúde municipal após a confirmação das primeiras mortes em decorrência da contaminação pelo novo coronavírus. Segundo o município, a equipe médica do hospital da unidade Paraíso não comunicou esses casos de contaminação, o que fere a legislação de combate à infecção de doenças contagiosas.

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Após a fiscalização, o município também afirmou haver problemas estruturais, do ponto de vista sanitário, nas unidades de saúde. Essa fiscalização pesou para o pedido do município, segundo nota da Secretaria Municipal da Saúde.

O Ministério Público paulista também instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar se as equipes médicas realmente deixaram de informar os órgãos de vigilância sanitária, omissão que pode ser punida com pena que vai de seis meses a dois anos de detenção.

Procurada, a Prevent Senior disse, em nota, que repudia a retórica do secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido.

"Ameaçar de intervenção só demonstra que a prefeitura tenta faturar com a desgraça do momento atual, com a crise da Covid-19, com objetivos políticos e estranhos. Usa de expedientes desonestos, abusivos e inverídicos para ganhar notoriedade e causar pânico", diz Nelson Wiliams, advogado que representa o grupo, no documento.

A nota continua dizendo que a rede tem cumprido rigorosamente as normas de atendimento prescritas pelo Ministério da Saúde e pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e chama de "golpe baixo" a ação da cúpula da Saúde Municipal.

"São mentirosas as alegações de que há subnotificações, falta de funcionários e problemas na estruturação do hospital da operadora. A Prevent Senior informa que acionará a prefeitura, judicialmente, pelo descumprimento dos princípios constitucionais e administrativos, pilares do Estado Democrático de Direito."

A Prevent Senior encaminhou à reportagem um laudo da Vigilância Sanitária Estadual que, segundo a rede, atesta as condições favoráveis do hospital do Paraíso, foco principal das mortes.

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