O que podemos aprender sobre saúde mental no 'BBB 20'?

Marcela De Mingo
·6 minuto de leitura
Gabi, do 'BBB 20' (Foto: Reprodução)
Gabi, do 'BBB 20' (Foto: Reprodução)

Dentre tantos assuntos importantes que têm chamado a atenção para o 'BBB 20', a saúde mental não poderia ficar de fora. No último fim de semana, vimos uma série de atitudes dos confinados que nos fizeram pensar sobre o quanto o jogo é, na verdade, uma prova para o emocional.

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Gabi e Guilherme começaram uma história dentro da casa que rendeu meme - "no meio de tanta maldade e tanta guerra, eu consegui me apaixonar por você" -, mas a aproximação do brother com Bianca despertou uma sensação de traição e desapontamento em Gabi que pode ser vista como não natural. Principalmente quando se considera o tempo que os dois passaram juntos desde o começo do programa.

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A reação, na verdade, levantou suspeitas no Twitter, o que gerou uma conversa sobre saúde mental e a sua relação com o confinamento. Se você não lembra, há algumas semanas Gabi comentou que tomava medicamentos antes de entrar no programa, mas que, depois que foi aceita, parou o uso e passou a ver a casa "como a sua cura".

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A questão é: não se sabe se a interrupção dos medicamentos foi feita com acompanhamento psiquiátrico ou não. Isso porque deixar de tomar antidepressivos sem supervisão ou liberação médica pode gerar uma série de efeitos colaterais, como o sono - e os próprios internautas já notaram que Gabi costuma dormir bastante, além do normal.

Falar sobre isso é importante, principalmente quando se fala no crescimento da depressão no mundo. Segundo um relatório feito pela seguradora SulAmérica em 2017, em seis anos o consumo de medicamentos antidepressivos no Brasil aumentou 74% - reforçando o relatório da Organização Mundial da Saúde, que indica que o Brasil é o mais mais deprimido da América Latina.

Quem mais usa esses remédios, aliás, são as próprias mulheres, especialmente aquelas acima dos 40 anos. Tanto que esses medicamentos estão no segundo lugar como os mais vendidos por aqui, atrás apenas dos analgésicos.

O caso de Gabi desperta um alerta não só por conta da medicação - que cresce em consumo no mundo inteiro também -, mas porque demonstra a lida de um programa como esse com questões de saúde mental.

Em um vídeo do confessionário, Manu Gavassi comenta que pediu para conversar com o terapeuta e não foi atendida. Desde então, não é possível saber se ela conseguiu o atendimento, mas essa não é a primeira nem a última vez que o programa precisou lidar com casos como esse.

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Em 2013, a ex-'BBB’ Fani Pacheco processou a emissora por conta da sua participação no 'BBB 13'. Na época, ela disse que foi proibida de levar os medicamentos antidepressivos para o programa e que viu o seu quadro depressivo piorar por conta da interrupção.

Segundo ela, a sua família percebeu a gravidade do seu estado pelo pay-per-view e acionou o seu psiquiatra, que entrou em contato com os médicos responsáveis pela atração. A apresentadora, no entanto, disse também que nada foi feito e, lá dentro, o único medicamento que ela recebeu foi um homeopático.

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Apesar de nunca ter falado diretamente sobre o assunto, Tamires, do 'BBB 15' também pode ser um exemplo de como a saúde mental dos participantes fica abalada dentro do programa - e a forma como é tratada. A então sister saiu por conta própria da casa, alegando ressaca moral e por considerar o que diziam sobre ela do lado de fora.

Em um dos momentos de maior tensão na sua passagem pelo programa, Tamires não conseguia parar de chorar e ameaçou se matar com uma faca caso não conseguisse sair da casa. Desde o começo, aliás, ela comentava da falta que sentia da família e tinha dificuldades em se desligar totalmente do que acontecia fora do confinamento.

O mais chocante? É raro de acontecer, mas um recado do criador do programa, Boninho, dado aos brothers após a saída de Tamires chocou todo mundo: "Quem sai é desistente, é perdedor".

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Saúde Mental

É impossível saber os detalhes sobre a produção e como o 'BBB' lida, de fato, com a saúde mental dos participantes - mas é óbvio para todo mundo que a situação, do começo ao fim, mexe com o emocional e psicológico. No entanto, podemos tirar dessa experiência um alerta: a importância de cuidar de questões de saúde mental e não interromper tratamentos sem acompanhamento médico.

De acordo com a própria OMS, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas sofram de transtornos depressivos no mundo inteiro - no total, isso corresponde a 5% da população mundial. Aqui no Brasil, 10% da população sofre de depressão.

Não à toa, a doença é considerada a mais incapacitante no mundo, tendo um efeito direto não só nas dinâmicas sociais como econômicas. O sono, por exemplo, é um sintoma comum: a pessoa com depressão dorme muito mais do que o normal ou, ao contrário, tem sérios problemas de insônia. De qualquer maneia, essa alteração gera consequências no seu desempenho, tanto profissional, quanto social.

O tratamento é tão sério que interrompê-lo sem o devido acompanhamento médico gera consequências igualmente sérias. Além de aumentar as chances de uma recaída da doença, pode gerar tonturas, tremores, vômito, alterações bruscas de humor, dores musculares e até ansiedade. Ou seja, os efeitos da chamada síndrome de abstinência têm efeitos psiquiátricos, somáticos, neurológicos e gastrointestinais.

Por isso, a recomendação mínima é do uso contínuo do medicamento pelo período de seis meses a um ano, conforme a indicação psiquiátrica. Um prêmio milionário pode parecer importante, mas, com certeza, não é mais importante do que o equilíbrio emocional. Depressão é um assunto sério porque pode levar ao suicídio - a segunda maior causa de morte entre jovens no mundo -, portanto, ainda que um um programa de TV ofereça oportunidades incríveis, elas, com certeza, não valem mais do que o bem-estar de qualquer pessoa.