Russomanno diz que é perseguido pela imprensa por ser aliado de Bolsonaro

João Conrado Kneipp
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Celso Russomanno, candidato à Prefeitura de São Paulo pelo Republicanos, e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se encontram no aeroporto de Congonhas
Celso Russomanno, candidato à Prefeitura de São Paulo pelo Republicanos, passou a adotar uma postura mais agressiva, similar a do presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Reprodução/Twitter)

Candidato à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos) acusou a imprensa de persegui-lo por ser alinhado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A fala mais incisiva faz parte de uma estratégia da campanha, que vê o percentual de votação do candidato desabar conforme as pesquisas avançam.

“Vocês perseguem o presidente Bolsonaro, perseguem. Isso é perseguição, isso não se faz, isso não se faz, isso não se faz. Vocês estão me perseguindo por estar alinhado a ele”, disparou Russomanno. A afirmação consta em um dos vídeos compartilhados por ele em seu perfil no Twitter, na tarde desta quinta-feira (12).

Apoiado fielmente por Bolsonaro em São Paulo, Celso Russomanno derreteu ao longo da campanha eleitoral. De acordo com o instituto Datafolha, publicado na quarta-feira (11), ele a começou no fim de setembro na frente, com 29%, e marca agora 14%, um terceiro lugar numérico em situação estatística de empate com Guilherme Boulos (PSOL, 16%) e Márcio França (PSB, 12%).

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Na tentativa de evitar “um tiro no peito”, a campanha do apresentador de TV foi à Justiça Eleitoral censurar a publicação de um levantamento do Datafolha. Em primeira instância, a Justiça vetou a veiculação da pesquisa, mas o instituto recorreu ao TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) e conseguiu a autorização para divulgar o levantamento.

A adoção de uma posição mais agressiva por Russomanno em suas redes sociais faz parte de uma estratégia influenciada por aliados bolsonaristas, em uma tentativa de driblar desconfianças do eleitor conservador ao imitar o estilo do presidente.

O perfil de Russomanno no Twitter passou a criticar adversários e acusar a mídia profissional de fake news - tal qual o presidente - e firmou interações e retuítes com nomes como Eduardo Bolsonaro, o cantor Roger, Allan dos Santos, Kim Paim, Rodrigo Constantino e os deputados estaduais Gil Diniz (sem partido) e Douglas Garcia (PTB).

‘DERRETIMENTO’ DE RUSSOMANNO

Do ponto de vista eleitoral, a estratégia de adotar o bolsonarismo radical é arriscada. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (12) mostrou que a rejeição ao presidente Bolsonaro em São Paulo atingiu 50%.

Já a aprovação oscilou para baixo, de 25% para 23%, com a avaliação regular estável (26% ante 27%). Bolsonaro é mais bem avaliado (30%) entre os mais velhos, e tem maior rejeição (66%) entre os mais jovens.

Entre os eleitores de Russomanno, a aprovação de Bolsonaro mais que dobra, chegando a 50%, enquanto 27% o acham ruim ou péssimo. Assim, é possível dizer que a aposta do deputado fidelizou eleitores de nicho, mas o afastou do eleitorado mais amplo.